A onça-parda Anhanguera sobreviveu a um atropelamento, foi reabilitada e devolvida à natureza, mas morreu em outra colisão, no interior paulista. Relembre a tragédia a seguir.
Como foi o primeiro incidente
A trajetória do animal foi documentada em uma pesquisa publicada em 2016 na revista científica Mammal Research, da Springer Nature. O caso mostra os resultados de um processo de reabilitação e os riscos que permaneceram depois da soltura.
Anhanguera era um macho jovem, com idade estimada entre dez meses e um ano, quando foi atingido por um veículo em 14 de setembro de 2009. O acidente aconteceu na Rodovia Anhanguera, na altura de Louveira (SP). Segundo reportagem do portal Fauna News publicada em 2013, parte da rodovia precisou ser interditada para o atendimento. Bombeiros e profissionais da Associação Mata Ciliar participaram do resgate.
O felino foi sedado e levado à instituição, em Jundiaí, onde recebeu o nome da estrada. A avaliação identificou fraturas nas costelas e um dente canino quebrado. Apesar dos ferimentos, a equipe considerou possível prepará-lo para voltar à vida livre.
De acordo com o resumo do estudo científico, o animal passou 16 meses em um centro de conservação de felinos antes de ser transferido para um recinto cercado de pré-soltura. Essa etapa integrou um protocolo de soltura gradual, conhecido como soft release. No novo espaço, o padrão de atividade da onça se aproximou daquele observado em indivíduos selvagens, com movimentação principalmente à noite e no crepúsculo.
Anhanguera foi devolvido à natureza em 2011, na Serra do Japi, equipado com um radiocolar.
O que os pesquisadores observaram
O monitoramento indicou preferência por plantações de pinus e eucalipto e menor utilização de pastagens e florestas secundárias. Posteriormente, os pesquisadores registraram uma mudança em direção à floresta primária. Embora o trabalho tenha acompanhado apenas um indivíduo por um período limitado, os autores identificaram padrões de atividade, movimentação e uso do ambiente próximos aos descritos para onças selvagens.
A conclusão foi que os resultados sugeriam o funcionamento do protocolo de soltura, que proporcionou ao animal outra oportunidade de sobrevivência.
Novo atropelamento interrompeu a trajetória
Em 18 de abril de 2012, Anhanguera morreu atropelado na Rodovia dos Bandeirantes, na altura do quilômetro 55. As autoridades relataram lesões graves na coluna, nas costelas e em órgãos internos, com morte instantânea.
O estudo informa que o acidente fatal ocorreu 433 dias após a soltura, a 55 quilômetros do primeiro atropelamento. À época, a veterinária Cristina Harumi Adania, coordenadora de fauna da Associação Mata Ciliar e uma das autoras da pesquisa, destacou a repercussão entre os envolvidos no resgate.
A onça Anhanguera foi um marco da nossa luta pela conservação. Houve uma comoção muito grande quando soubemos da sua morte porque todos acompanhavam sua história e torciam por um final feliz Cristina Harumi Adania, da Associação Mata Ciliar
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