Um parecer do Ministério Público do Paraná (MP-PR) apontou que João Vitor Domingues Romeiro, 25, preso pelo feminicídio da médica Gassi Mazia, 37, não aceitava o fim do relacionamento. Crime ocorreu em Maringá, no norte do estado, na noite do último sábado (5).
O que aconteceu
MP mostrou que Romeiro "invadiu o apartamento" da ex-companheira e "a executou covardemente". Trecho consta na manifestação que pediu a conversão da prisão em flagrante para preventiva, aceita pela Justiça no domingo.
De acordo com o apurado restou preliminarmente identificado que o autuado por não aceitar o término do relacionamento com sua ex-companheira G. P. S. M. (médica dedicada que laborava na saúde da família em Sarandi) invadiu o apartamento desta e a executou covardementeTrecho do parecer do MP, assinado pelo promotor Marcelo Alessandro da Silva Gobbato.
Após o crime, o homem teria ficado horas no apartamento com o corpo da vítima. Segundo o MP, filho do casal, de 8 meses, teria presenciado o ataque. Romeiro ainda teria colocado a criança para dormir antes de trancar o apartamento e fugir para a casa de uma prima em Mandaguari, a cerca de 30 km de Maringá.
Ao chegar ao local, ainda dentro do carro, ele confessou o crime à familiar. "Disse para mim que ele e a Gassi tinham brigado e que ele tinha matado ela", afirmou a testemunha, que não teve sua identidade divulgada, em depoimento à Polícia Civil. Um trecho da fala dela foi divulgado pela página "Plantão Maringá".
Bebê foi encontrado sozinho no apartamento, com o corpo da mãe. De acordo com a manifestação do MP, o irmão da vítima foi notificado por uma familiar de Romeiro que ele havia aparecido com a roupa cheia de sangue. O irmão de Gassi, então, foi até a casa dela e arrombou a porta após ouvir o choro do sobrinho.
Suspeito foi preso com ferimentos graves. Romeiro tinha cortes de arma branca no pescoço e no tórax. Ele foi detido pela PM e escoltado ao Hospital Universitário de Maringá, onde permanece internado sob custódia do Estado. A audiência de custódia aconteceria na tarde de hoje, mas foi cancelada.
"Cenário de terror", diz delegado
Polícia apreendeu as facas usadas no crime e o carro do suspeito. Um veículo Nissan Kicks branco foi recolhido com vestígios visíveis de sangue. Também foram apreendidas facas e emitidas certidões de óbito provisórias.
Delegado classificou o apartamento como "cenário de terror". Adriano Garcia, chefe da Delegacia de Homicídios de Maringá, afirmou que havia marcas de sangue em diferentes cômodos e que a vítima foi atingida por ao menos dez golpes de arma branca.
MP pediu prisão preventiva citando "gravidade que transborda a barbárie ordinária". O órgão argumentou que a frieza e a crueldade do crime, além da fuga, justificavam a manutenção da prisão.
Gassi Mazia era médica da saúde da família em Sarandi e atuava na UBS Nova Aliança. O sepultamento foi realizado na segunda-feira.
A defesa de João Vitor Domingues Romeiro afirmou que aguarda a melhora do quadro de saúde dele para se pronunciar. "Aguardamos que ele consiga verbalizar, se comunicar normalmente para termos as informações necessárias", disse o advogado Israel Batista de Moura.
Em caso de violência, denuncie
Denúncias podem ser feitas pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive no exterior. A ligação é gratuita.
O serviço recebe denúncias, oferece orientação especializada e encaminha vítimas para serviços de proteção e atendimento psicológico.
Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp (61) 99656-5008.
As denúncias também podem ser feitas pelo Disque 100, canal voltado a violações de direitos humanos. Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e a página da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH).
Caso esteja em situação de risco, a vítima pode solicitar medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha.
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