O ministro Luiz Edson Fachin foi "empurrado para o ringue" na crise interna do STF (Supremo Tribunal Federal) e terá de tomar uma decisão que vai desagradar a alguém, sob o risco de ter sua autoridade "implodida de vez", avaliou a apresentadora Daniela Lima no Pulso Político, do Canal UOL.
Segundo Daniela, o presidente do STF tentou estabelecer prazos e dar um rito institucional à crise, mas acabou "atropelado pelos fatos" diante da sucessão de decisões dos ministros e da escalada do embate dentro da Corte.
O fato é que o presidente do Supremo passou a ser atropelado pelos fatos. O rito que ele tentou impor, a tramitação da crise, não foi obedecido. Na prática, não foi obedecido. [...] Entristecido, o ministro foi empurrado para o ringue e hoje vai ter de desagradar alguém sob o risco de ter a autoridade implodida de vez.Daniela Lima
A apresentadora afirmou que as críticas à condução de Fachin aumentaram dentro e fora do Supremo. Ela relatou ter conversado com pessoas próximas ao ministro, que o descreveram como "entristecido" diante da situação enfrentada pela Corte.
Eu fui falar com gente próxima a Luiz Edson Fachin. Dizem: 'Olha, o ministro está entristecido com a situação em que se encontra. O tribunal está mergulhado num problema e não consegue encontrar racionalidade para sair. Decisões estão sendo tomadas com o sangue muito quente, com o fígado. Isso não vai ajudar a resolver a crise'.Daniela Lima
Para Daniela, Fachin buscou dar "institucionalidade" à crise ao estabelecer prazo de cinco dias para manifestações de Alexandre de Moraes e André Mendonça e de outros envolvidos nos dois polos da disputa, entre eles a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.
Quando ele estabelece esse prazo, ele está buscando dar alguma institucionalidade, algum rito. O problema é que os ministros do Supremo, integrantes do STJ, integrantes do TCU, dizem que a coisa só chegou aonde chegou porque Fachin não age.Daniela Lima
A apresentadora citou também o recurso apresentado pela Advocacia-Geral da União contra decisões envolvendo a cúpula da Polícia Federal. Fachin concedeu 72 horas para que Mendonça se manifestasse, o que, segundo Daniela, adiaria uma definição sobre o afastamento de integrantes da corporação.
Na avaliação da apresentadora, a tentativa de dar tempo para que a crise seguisse um rito acabou abrindo espaço para novas decisões. Daniela afirmou que, enquanto transcorria o prazo estabelecido por Fachin, a disputa continuou escalando e o presidente do STF perdeu o controle sobre o ritmo dos acontecimentos.
O colunista Alexandre Borges avaliou que a insatisfação com a condução do presidente do STF virou um raro ponto de concordância em um ambiente descrito como polarizado.
Se tem uma unanimidade é que o Fachin não está resolvendo. Isso aí eu acho que une todos os lados. É uma grande decepção e é uma pena que nesse momento histórico tão complicado a gente tenha um presidente do STF que, até o momento, não tem se mostrado à altura do desafio que a história e o momento do país estão impondo a ele.Alexandre Borges
Daniela disse ainda que Flávio Dino não apenas cancelou uma decisão de Mendonça, como defendeu que o caso seja levado ao plenário. Para ela, a mudança tirou a discussão de uma turma onde Mendonça "sabe que tem maioria" e expôs a disputa interna na Corte.
O Pulso Político vai ao ar de segunda a sexta, das 12h30 às 14h30, com apresentação de Daniela Lima.
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
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