O ministro Flávio Dino deu uma "desculpa esfarrapada" para reintegrar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ao cargo em meio ao "tumulto generalizado" no Supremo Tribunal Federal (STF), avaliou o jurista e colunista Wálter Maierovitch no UOL News, do Canal UOL.
O magistrado justificou a decisão afirmando que a PF não pode paralisar investigações em curso e a produção de relatórios de inteligência após o ministro André Mendonça determinar o afastamento de Rodrigues da direção-geral, decisão ratificada pela segunda turma da Corte. Dino ainda citou o encontro de Mendonça com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e falou em "grave interferência" do colega relator em meio às investigações do Caso Master.
O que existe no Supremo começou com uma briga de galos, vale tudo numa briga de galos. Isso virou, pela decisão do Dino de agora, virou briga em estádio lotado de torcidas organizadas. E, à luz da legislação penal, nós podemos dizer o quê? Podemos pegar o tipo da rixa. Tem uma rixa no Supremo Tribunal Federal. A decisão do ministro André Mendonça, como nós discutimos ontem aqui no UOL News, é uma decisão evidentemente inconstitucional, arbitrária e ilegal, mas isso a gente já falou. Agora vem o quê? Vem uma decisão que tenta dar um rótulo jurídico mas que faz parte dessa briga e que não tem nenhuma consistência jurídica, nenhum respeito à legislação.Wálter Maierovitch
O jurista também criticou a postura do presidente do STF, Edson Fachin, na condução das divergências entre André Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes devido à atuação da Polícia Federal.
Tem algo errado? Tem. O Fachin é pusilânime? É. É um Rolando Lero? É. Isso eu já venho falando e está se confirmando agora, já se confirmou agora. Tem um tumulto generalizado? Tem. Mas não dá pro ministro Flávio Dino vir com uma desculpa esfarrapada dessa. Qual é a desculpa que ele dá? Ah, existe uma operação em andamento com relação às emendas, com relação ao Dark Horse. E eu fico aqui pensando com os meus botões e torcendo para que nenhum desses dois que foram reintegrados morram. Porque aí para tudo, não se tem substitutos, eles são insubstituíveis. Ora, ora, não dá pra engolir essa decisão sendo uma questão técnica.Wálter Maierovitch
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