Uma mulher está sendo investigada por suspeita de matar o companheiro com cerca de 54 facadas na manhã de domingo (6), no estacionamento de uma academia em Americana, no interior de São Paulo. Em agosto, ela chegou a registrar um boletim de ocorrência contra o companheiro e solicitou medidas protetivas de urgência, mas retirou o pedido cinco dias depois.
O que aconteceu
Polícia Militar foi acionada para atender a uma ocorrência de agressão. Ao chegar ao local, uma funcionária do estabelecimento disse que o caso ocorreu no estacionamento. O empresário Michel Serra Begali, 32, foi encontrado caído no chão com diversas perfurações de faca e com intenso sangramento. Havia uma faca próxima a ele.
Durante diligências, os PMs encontraram a esposa da vítima, Natália Casorla, no interior da academia. A professora de 33 anos estava visivelmente abalada e com vestígios de sangue em seu corpo e roupas, segundo o boletim de ocorrência, obtido pelo UOL.
Michel foi socorrido até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Dona Rosa e teve a morte constatada no local. Natália e a filha, que também estava no local, foram levadas até um hospital da cidade, onde receberam atendimento médico e foram liberadas.
Vítima foi atingida pelos golpes de faca principalmente na região de trás do pescoço e nas costas. No hospital, funcionários informaram à polícia que havia cerca de 54 lesões provocadas, aparentemente, por faca, sendo 39 delas na região posterior.
Filha do casal teria presenciado o crime, de acordo com o BO. Ela deverá ser ouvida em depoimento especial, conforme previsto em lei.
Natália foi presa em flagrante pelo crime de homicídio. Na delegacia, ela optou por ficar em silêncio.
A delegada Marcela Elias disse ter entendido que, diante do número de facadas e onde Michel foi atingido pelos golpes, não era cabível a aplicação de legítima defesa "em razão do excesso" de ferimentos. Ela também indicou que as circunstâncias e o conjunto de provas evidenciavam o flagrante e indícios suficientes, até o momento da apuração, de prática do delito por Natália. "Não há, igualmente, elementos que autorizem o reconhecimento, neste momento, da excludente por legítima defesa, especialmente diante da quantidade e localização dos ferimentos na região posterior do pescoço e nas costas da vítima, sem prejuízo de ulterior reavaliação à luz da prova produzida."
A polícia apreendeu uma faca e um aparelho celular da vítima. O celular da suspeita foi apreendido depois. Testemunhas não foram localizadas no local para esclarecer a dinâmica do crime. As câmeras presentes no local "não ajudaram a elucidar os fatos, visto que ocorreram atrás de um veículo que se encontrava estacionado próximo às partes da ocorrência", de acordo com o registro. Veículos periciados no local do crime foram liberados depois.
Natália registrou um boletim de ocorrência contra Michel e solicitou medidas protetivas de urgência no dia 16 de agosto. Ela pediu a retirada da solicitação no dia 21 do mesmo mês. Não consta no boletim de ocorrência o teor do registro feito pela professora contra o companheiro no mês passado.
Velório e enterro de Michel ocorreram ontem em Americana. Nas redes sociais, o homem dizia ser dono de uma cachaçaria em Santa Bárbara d'Oeste, no interior paulista.
O caso foi registrado como homicídio no 3ºDP (Americana). Segundo a SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo), as diligências prosseguem para o devido esclarecimento dos fatos.
Defesa de Natália disse que os fatos são apurados sob sigilo. Ao UOL, Luís Carlos Gazarini afirmou que quaisquer esclarecimentos serão prestados somente à autoridade policial responsável pela investigação.
Mulher vai para a prisão domiciliar
Justiça determinou ontem que a mulher fique em prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica. Ela terá que cumprir medidas cautelares, como ficar recolhida em sua residência, exceto em caso de emergência médica; comparecer mensalmente em juízo para informar e justificar as suas atividades; e proibição de manter contato com testemunhas.
O juiz Wilson Henrique Santos Gomes também proibiu Natália de sair do Brasil e determinou a retenção do passaporte dela. Em caso de descumprimento, conforme decisão, o benefício será revogado e ela será levada para prisão em regime fechado.
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