A polícia investiga a morte de uma mulher de 29 anos, esposa de um policial militar, dentro de uma casa em Embu das Artes, na Grande São Paulo, ontem. O policial alegou que a vítima usou a arma dele para cometer suicídio, versão que a família nega.
O que aconteceu
Larissa da Cruz Morata morreu com um tiro na cabeça no banheiro da casa em que morava com o policial. Quem acionou a PM foi o companheiro da vítima, identificado por parentes como Vinícius Costa Silva, que afirmou que achou a mulher morta ao acordar, na manhã de ontem.
A arma usada no crime, de propriedade de Vinícius, foi encontrada embaixo do corpo de Larissa. O revólver foi apreendido para a perícia, assim como coldre, carregador, munições e o estojo de munição deflagrado.
À polícia, o PM disse que ele e Larissa tinham conversado sobre terminar o relacionamento horas antes da morte dela. Ele negou envolvimento com o crime e também disse que a esposa sabia onde ele guardava a arma.
O policial foi ouvido na noite de ontem e liberado em seguida. Ao UOL, o advogado dele classificou o caso como uma "tragédia profundamente dolorosa" e disse que exames e laudos periciais permitirão a comprovação da inocência dele.
O advogado afirmou, ainda, que o casal não tinha histórico de violência e disse que tanto o PM quanto a irmã dele deram esclarecimentos à PM. "A investigação também terá acesso a conversas anteriores entre Larissa e familiares de Vinicius nas quais ela manifestava pensamentos relacionados à possibilidade de tirar a própria vida diante de uma eventual ruptura do relacionamento", diz trecho da nota.
Vinícius é soldado de primeira patente e entrou na Polícia Militar em janeiro de 2023. Ele estava alocado no 27° Batalhão da Polícia Militar, no extremo sul de São Paulo, segundo informações obtidas pelo UOL.
Família não acredita na hipótese de suicídio e afirma que Larissa contou, em ligação à avó horas antes de morrer, que tinha acabado o relacionamento com o PM. "Ela ligou entre oito e nove da manhã para falar que eles tinham terminado e que ela estava arrumando as coisas para ir embora com o filho para casa da avó. No fundo da ligação dava para ouvir o barulho de gente na casa", afirmou uma familiar da vítima ouvida pelo UOL.
A familiar também contou que o PM apressou a liberação do corpo de Larissa do Instituto Médico Legal e marcou um enterro sem avisar a nenhum parente dela. Eles temem que o corpo da vítima seja cremado para esconder evidências de um possível crime.
O homem tinha um histórico de violência e era agressivo, segundo os familiares de Larissa. Ele não permitia que a família visitasse Larissa e já teria se mudado mais de uma vez por "arrumar briga com todos e ameaçar as pessoas com armas".
A mulher deixa um filho de dois anos. A criança morava com o casal e está, até o momento, com a família materna. Segundo os parentes de Larissa, o PM disse que mandaria uma viatura para pegar o menino ainda na tarde de hoje.
Caso foi registrado como morte suspeita e a polícia pediu exames periciais nas mãos da vítima e do marido. Em nota enviada ao UOL, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que as investigações seguem para esclarecimento das circunstâncias do caso.
O corpo de Larissa será enterrado na tarde de hoje. O velório da mulher acontece no cemitério Valle dos Reis, em Taboão da Serra.
Em caso de violência, denuncie
Denúncias podem ser feitas pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive no exterior. A ligação é gratuita.
O serviço recebe denúncias, oferece orientação especializada e encaminha vítimas para serviços de proteção e atendimento psicológico.
Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp (61) 99656-5008.
As denúncias também podem ser feitas pelo Disque 100, canal voltado a violações de direitos humanos.Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e a página da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH).Caso esteja em situação de risco, a vítima pode solicitar medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha.
Procure ajuda
Se você estiver tendo pensamentos suicidas, procure ajuda especializada.
O CVV (Centro de Valorização da Vida) oferece apoio emocional e prevenção ao suicídio gratuitamente, 24 horas por dia, pelo telefone 188. Também há atendimento por chat, e-mail e presencialmente.
Outra opção é procurar um Caps (Centro de Atenção Psicossocial) na sua cidade.
Há ainda o Pode Falar, canal criado pelo Unicef para jovens de 13 a 24 anos, com atendimento anônimo e gratuito.
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