O projeto que regulamenta a atividade de inteligência no Brasil, parado desde julho no Senado, proíbe o uso de relatórios de inteligência em processos criminais.
Se o texto já estivesse em vigor, o relatório da PF (Polícia Federal) usado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes contra o colega André Mendonça não poderia estar no inquérito.
O relatório do senador Nelsinho Trad (PSD-MS) está pronto para o plenário, mas não é pautado. Ele veda "aos órgãos de inteligência a execução de diligências probatórias para fins de persecução penal".
Na justificativa do projeto, o senador afirmou que, enquanto a inteligência tem o objetivo de reunir dados para assessoramento de processos decisórios, a investigação busca identificar autoria e materialidade de crimes para instruir inquéritos.
"Ainda que usem métodos semelhantes, os objetivos da atividade de inteligência e da investigação criminal são completamente distintos", diz o texto.
O uso de relatórios de inteligência pela PF tem irritado os servidores da área, entre eles, os da Abin (Agência Brasileira de Inteligência).
Eles afirmam que há uma disputa por espaço e que a inteligência deve ser usada em casos bastante específicos e estratégicos, como ameaças externas, extremismo violento e sabotagem.
A avaliação é que o trabalho da inteligência foi banalizado e que relatórios como o elaborado pela PF deveriam ser totalmente sigilosos, sem possibilidade de uso em investigações para produzir provas ou investigar pessoas.
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