O pai de santo Jocemar Antunes de Almeida e a esposa dele, Belísia da Silva, irão a júri popular pelas mortes de Kauany Martins Kosmalski, 18, do filho dela Miguel, de dois meses, e do adolescente Ariel Silva, 16, na cidade de Esteio (RS) em julho de 2025.
O que aconteceu
Casal será julgado pelo Tribunal do Júri. A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul.
Exame de DNA confirmou que Jocemar era pai biológico de Miguel. Segundo o promotor Rodrigo Mendonça, o casal cometeu os crimes após Kauany ameaçar expor a paternidade. Eles temiam que a relação fora do casamento abalasse a reputação deles entre os fiéis.
Ariel era amigo da vítima e também foi morto para "esconder" o escândalo. Acusados acreditavam que ele sabia que Jocemar havia usado de sua posição para enganar Kauany e ter relações com ela.
Relembre o caso
Investigação começou após a família de Kauany denunciar o desaparecimento dela e do bebê. Uma tia da jovem procurou a polícia, e a apuração levou os investigadores até a casa de Jocemar.
Pai de santo confessou os assassinatos durante interrogatório, segundo a polícia. Ele indicou o local onde os corpos estavam e disse que contou com a ajuda de dois adolescentes para escondê-los. As vítimas eram frequentadoras da casa religiosa onde Jocemar atuava. Corpos foram encontrados em um buraco na beira de um rio, cobertos com galhos e pedaços de madeira.
Belísia se entregou à polícia após ter a casa incendiada. Ela se apresentou à delegacia afirmando que ajudou o marido a matar Kauany e que temia pela própria vida após a repercussão do caso.
No dia do crime, vítimas foram atraídas para área isolada, sob pretexto de um culto religioso. Kauany e Ariel foram mortos a facadas, enquanto o bebê sofreu um traumatismo cranioencefálico. Os corpos foram escondidos numa área da mata, às margens do Rio dos Sinos.
Casal responde por feminicídio quíntuplamente majorado e dois homicídios com quatro qualificadoras. As acusações também incluem ocultação de cadáver e corrupção de menores.
Jocemar também é acusado de violação sexual mediante fraude. Ele teria usado a condição de líder religioso para persuadir a jovem.
Os dois estão presos preventivamente. A data do julgamento ainda não foi definida, segundo o MPRS.
O UOL não conseguiu localizar a defesa dos acusados. Espaço segue aberto para manifestações.
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