Os aplicativos digitais para transporte de passageiros ou delivery de comidas e produtos correspondiam à atividade de 1,96 milhão de trabalhadores. Chamados "profissionais plataformizados", eles trabalham, em média, 5,4 horas a mais por semana para receber um salário equivalente ao dos demais ocupados do setor privado.
O que aconteceu
Número de trabalhadores plataformizados cresceu 18,4% em 2025. Os dados apresentados pela Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) indicam que o Brasil ganhou 305 mil trabalhadores em aplicativos digitais para transporte de passageiros ou delivery no ano passado. Com a alta, o grupo passou a representar 1,9% da população ocupada do país.
Aplicativos são o trabalho principal de 1,8 milhão de brasileiros. As plataformas aparecem como a atividade prioritária de 92,1% dos profissionais que exercem as atividades de transporte de passageiros e delivery. Outros 182 mil (9,3%) têm os aplicativos como fonte secundária.
Plataformizados trabalham mais horas do que outros profissionais. O estudo mostra que os trabalhadores de aplicativos atuam, em média, 44,7 horas por semana, contra 39,3 horas trabalhadas pelos demais profissionais na função principal exercida. Na comparação com 2022, houve uma redução de 1,7 hora na jornada semanal média dos trabalhadores por aplicativo.
Renda mensal dos profissionais é equivalente à de outros setores. Apesar de uma jornada maior de trabalho, os profissionais de aplicativos receberam um rendimento médio mensal de R$ 3.148. A estimativa é similar à registrada para aqueles que atuam fora das plataformas (R$ 3.147). Os números indicam um rendimento por hora 12% inferior para os trabalhadores de aplicativos.
Rendimento dos plataformizados permaneceu estável ante 2024. A comparação contrasta com a alta de 4,1% da renda dos demais ocupados do setor privado. Segundo o IBGE, a manutenção indica que os profissionais não foram registrados. Entre 2022 e 2025, o rendimento dos trabalhadores por aplicativo registrou uma pequena oscilação (1%), o dos demais ocupados cresceu 10,6%.
A estabilidade dos rendimentos médios dos trabalhadores plataformizados, quando comparados a 2024, reflete o fato de que não foi registrado nenhum ganho real no rendimento de condutores de automóveis e motocicletas por aplicativo nesse período. [...] Essas categorias representam a maior parte dos plataformizados.Gustavo Geaquinto Fontes, pesquisador do IBGE
Flexibilidade lidera motivação para o trabalho por aplicativo. A razão é citada por 26,8% dos plataformizados. Na sequência, aparecem aqueles que alegam recorrer às plataformas por não conseguirem encontrar outro emprego (24,6%) e os que avaliam ter um rendimento maior do que em outros trabalhos disponíveis (20,8%). O complemento da renda é a motivação para 16,6%, principalmente entre os que utilizam os apps como atividade secundária (87,7%).
Homens mantêm presença majoritária entre os plataformizados. O estudo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que 84,4% dos quase 2 milhões de profissionais de aplicativos são do sexo masculino. O percentual é significativamente superior à parcela de 58,2% registrada entre todos os ocupados do mercado de trabalho.
Brasil soma 1,15 milhão de motoristas em apps de transporte. O segmento responde por mais da metade (58,9%) dos plataformizados, divididos entre 232 mil motoristas de táxi (11,8%) e 1,06 milhão de outros aplicativos (53,9%). As entregas de comida e produtos absorvem 595 mil profissionais (29,9%), enquanto a prestação de serviços conta com 313 mil trabalhadores (16%).
Maioria concluiu o ensino médio ou tem o superior incompleto. Os grupos representam 62,5% dos profissionais plataformizados, enquanto respondem por 45,3% dos que não atuam nos aplicativos. Já os trabalhadores sem instrução ou com fundamental incompleto são minoria e representam apenas 8,3% dos profissionais. Os demais 15% concluíram o ensino superior.
Dois terços dos plataformizados não contribuem para a Previdência. A cobertura é inexistente para 34% dos profissionais dos apps, valor que representa quase a metade entre outros trabalhadores (62,4%). A informalidade também aparece como um entrave e envolve 72,1% dos profissionais que trabalham por meio de aplicativos, contra 42,7% dos demais trabalhadores do setor privado.
Estudo divulgado hoje foi realizado no terceiro trimestre de 2025. A composição da Pnad sobre os trabalhadores de aplicativos contou com a cooperação técnica da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e do MPT (Ministério Público do Trabalho) para realizar a análise com a população de trabalhadores com 14 anos ou mais.
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