A incidência do peixe-leão (Pterois volitans) no litoral brasileiro está preocupando ambientalistas. Em cerca de um mês, quase 500 exemplares foram capturados em Porto Seguro, na Bahia. Além de ser uma espécie invasora, o animal pode causar impactos ao ecossistema e representar riscos para as pessoas.
Os perigos do peixe-leão
O peixe-leão é originário da região do Indo-Pacífico. A espécie chama atenção pela aparência exuberante, marcada por listras brancas, vermelhas e alaranjadas, além de longas nadadeiras e espinhos espalhados pelo corpo.
O perigo está justamente nesses espinhos, que estão associados ao veneno do animal. Segundo o Diário Oficial de Porto Seguro, o peixe-leão pode "gerar riscos à segurança de pescadores, mergulhadores, condutores de visitantes e demais usuários do ambiente marinho, em razão de seus espinhos venenosos".
Os espinhos podem perfurar a pele quando o animal é tocado ou manipulado. O risco também existe quando o peixe está morto.
A perfuração costuma provocar dor intensa no local. Também podem surgir inchaço, vermelhidão, náusea, cólicas e, em casos mais graves, desmaio e outros sintomas sistêmicos.
A dor aparece rapidamente e pode atingir o pico entre 1 e 2 horas após a contato. Um estudo realizado por pesquisadores da Unesp e do Instituto Butantan analisou 15 casos de envenenamento por peixe-leão e apontou que a dor pode durar cerca de 6 a 12 horas. Alguns sintomas, porém, podem persistir por dias ou até semanas, dependendo da gravidade do caso.
O que fazer em caso de contato com o espinho do peixe-leão
A principal medida é colocar a região afetada em água quente, mas sem causar queimadura, por cerca de 30 a 90 minutos. O calor pode ajudar a aliviar a dor e a inativar componentes termossensíveis do veneno.
Também é recomendado lavar a região com água e sabão e retirar cuidadosamente espinhos visíveis, sem apertá-los. A vacinação contra o tétano também deve estar em dia.
Quando ir ao hospital?
Envenenamento por espinho peixe-leão pode matar?
Casos graves podem ocorrer, mas raramente causam morte. O veneno do peixe-leão é considerado menos potente que o de outros peixes da mesma família, como o peixe-pedra.
Ainda assim, há relatos de manifestações sistêmicas graves e casos que exigiram hospitalização. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Illinois analisou 33 casos de 'picadas' de peixe-leão. Dez pessoas foram atendidas em pronto-socorro e duas precisaram ser internadas. Todos os pacientes se recuperaram sem sequelas permanentes.
Por que o peixe-leão preocupa?
O peixe-leão é uma espécie invasora. O animal chegou ao Atlântico por ação humana, espalhou-se pelo Caribe e conseguiu ultrapassar a barreira natural formada pela foz do Amazonas. Nos últimos anos, passou a ser registrado com maior frequência na costa brasileira.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, os primeiros registros oficiais da espécie no país ocorreram em 2020. Em poucos anos, o peixe-leão se espalhou pelo litoral do Nordeste, com ocorrências importantes em áreas como Fernando de Noronha.
Embora a presença seja mais frequente no Nordeste, a espécie pode ser encontrada em diferentes pontos do litoral brasileiro, incluindo parques marinhos, áreas de pesca e reservas biológicas.
Além do risco de acidentes, o peixe-leão pode provocar desequilíbrios no ecossistema. Como é um predador eficiente, pode consumir espécies nativas e endêmicas. Cerca de 29 espécies brasileiras de peixes já foram classificadas como vulneráveis.
Outro fator que favorece a expansão é a ausência de predadores naturais em grande parte do Atlântico. Além disso, 88% das áreas afetadas não realizam remoção regular da espécie, o que contribui para o crescimento de suas populações.
Por isso, ações de monitoramento, captura e educação ambiental são realizadas para tentar conter a expansão do peixe-leão. Campanhas também buscam informar a população sobre os riscos associados ao animal.
Principal método de controle é a captura manual. A atividade, porém, deve ser realizada por mergulhadores treinados, que utilizam equipamentos específicos, como arpões e redes, principalmente em recifes e áreas protegidas.
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