O futebol inglês está prestes a dar enorme contribuição ao esporte, constantemente castigado por jogadores que agem como atores canastrões, simulando lesões para fazer cera, ou seja, ganhar tempo, esfriar o adversário, interromper os jogos de forma canhestra, o que gera impaciência e desinteresse no torcedor. Trata-se de projeto-piloto que busca erradicar o "malandro" tempo tático do goleiro.
O arqueiro é o único que, para ser atendido, tem o privilégio de paralisar o cotejo. Afinal, só ele pode usar as mãos e não há como substituí-lo adequadamente caso precisasse deixar as quatro linhas, mesmo que momentaneamente. Assim, muitos se aproveitam disso para fingir algum problema quando um companheiro está fora de ação, evitando que tenham que jogar com 10, mesmo que por instantes.
A artimanha também serve para que, enquanto o atendimento amédico contece, o treinador possa conversar com os demais jogadores, passando novas instruções, orientando o time numa espécie de pedido de tempo extraoficial. Em novembro, o técnico do Leeds United, Daniel Farke, acusou o goleiro do Manchester City, Gianluigi Donnarumma, de simular uma lesão com tal objetivo.
Segundo a BBC, Federação Inglesa de Futebol (FA), Premier League, English Football League, National League e a Superliga Feminina concordaram com uma medida autorizada pelo International Football Association Board (Ifab), responsável pelas regras do jogo. E a novidade é: se o goleiro interromper a peleja para ser atendido, sua equipe terá que retirar um jogador de linha do gramado por um minuto.
Em suma, caso o apitador autorize a equipe médica a adentrar o campo para atender um goleiro, o técnico daquela equipe terá 10 segundos para indicar ao quarto árbitro outro jogador que deverá deixar a cancha por um minuto quando a partida recomeçar. Se nenhum for selecionado, em 10 segundos o capitão sairá quando a bola voltar a rolar. Isso deverá inibir a falsa malandragem de diversos goleiros.
Já existe até o primeiro jogo onde, se necessário, o critério será utilizado: Tranmere x Rochdale, duelo entre equipes da League Two, a quarta divisão, sábado, em confronto válido pela fase preliminar da Copa da Liga Inglesa. A BBC Sport acrescentou, ainda, que a na Austrália será testado um formato no qual o capitão terá que, obrigatoriamente, deixar o campo quando o arqueiro precisar de atendimento, interrompendo a peleja.
Haverá exceções para os goleiros nas quais ninguém terá de deixar o gramado, como quando ele e um jogador de linha se chocarem, se sofrer falta e precisar de atendimento imediato (o terá), se estiver sangrando, em caso de lesão que leve à substituição e quando existir suspeita de concussão. Há preocupações no sentido de que ninguém tente continuar jogando lesionado para não desfalcar a equipe.
Os resultados dos testes serão avaliados pela Ifab em futuras reuniões, podendo a novidade ser adotada globalmente a partir da temporada 2027/2028. No Brasil seria algo absolutamente fantástico, afinal, ajudaria o futebol e encerraria as carreiras de péssimos atores dos mais diversos goleiros simuladores com os quais todos nós somos obrigados a lidar há tempos.
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.