O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), fez na manhã desta quinta-feira (3) um discurso em que pede para Deus abençoar os representantes do Poder Judiciário e fala em "honrar" a confiança depositada pela população no sistema de Justiça.
A declaração ocorre dois dias após as revelações de que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, enviou mensagens ao ministro do STF Alexandre de Moraes, o que desencadeou uma crise sem precedentes na corte.
"Que Deus nos abençoe também desse lado da mesa e todos que representam o Poder Judiciário e, de modo especial, o sistema de Justiça como um todo. Que nós possamos honrar a confiança que o principal, que é o povo, o cidadão, deposita", disse Mendonça durante evento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), do qual também faz parte, com líderes religiosos.
Relator do caso Master no tribunal, Mendonça foi o responsável por tornar público relatório da Polícia Federal sobre trocas de mensagens entre Moraes e Vorcaro. Em um dos diálogos revelados, o banqueiro pergunta a Moraes se ele deveria deixar o país dois dias antes de ser preso, em novembro de 2025.
Depois da divulgação do relatório, Mendonça pediu ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, para que as mensagens sejam debatidas no plenário da corte, com a participação dos demais integrantes.
Um dia depois de a crise ser deflagrada no Supremo, também veio a público um encontro de Mendonça com Vorcaro. Na ocasião, o ministro recebeu o então banqueiro em seu escritório no Instituto Iter, fundado por ele, para falar sobre precatórios. À época, o tema estava sendo discutido no STF e interessava ao Master.
Em nota, o magistrado destacou que votou contra os interesses do empresário no julgamento.
Somado a isso, conforme divulgado pelo site ICL Notícias, mensagens obtidas do celular de Vorcaro mostram que o advogado Ciro Rocha Soares, ligado a ele, teria levado Mendonça para comprar um terno. Em áudio enviado ao banqueiro, Ciro afirmou que havia "balançado" o ministro com os problemas enfrentados pelo Master no Banco Central.
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