A segunda sessão no STF (Supremo Tribunal Federal), após o inquérito que jogou luz em conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, teve clima leve e com piadas entre os magistrados. Assim como ontem, ninguém mencionou sobre o caso.
O que aconteceu
Sem mencionar as conversas envolvendo Moraes e Vorcaro, os ministros tiveram piadas durante o julgamento de hoje. O clima amistoso ocorreu envolvendo Luiz Fux, Edson Fachin, Flávio Dino e Gilmar Mendes. Outros ministros riram mais discretamente.
O momento de descontração ocorreu durante análise sobre organização e atribuições do Ministério Público da União. Fux questionou o presidente Edson Fachin se ele se lembrava de um livro de direito antigo, intitulado "Vocabulário Jurídico", de Plácido e Silva. "Vossa Excelência vai lembrar", brincou Fux. Logo em seguida, Fachin respondeu: "Sem dúvida que lembro".
Dino e Gilmar fizeram coro à piada. "Eu também lembro", disse Dino. Ao mesmo tempo, o decano na corte gargalhou.
Clima mais leve com Moraes e Mendonça mais isolado. A sessão de hoje também demonstrou uma maior integração dos ministros com o colega Alexandre de Moraes, que sempre está junto e conversando com Dino, Gilmar e o próprio Fachin. Por outro lado, Mendonça está mais quieto, entra e sai sozinho do Supremo.
Como mostrou o UOL, na sessão de ontem, Moraes também havia demonstrado tranquilidade, enquanto Mendonça tinha falado pouco. Lado a lado, Moraes e Mendonça trocaram poucos olhares durante a sessão. Os dois não apresentaram comportamento atípico. Liam anotações, tomavam água e café. Em nenhum momento trocaram palavras entre si. Hoje, o clima se repetiu.
Ontem também foram registrados rindo por fotógrafo e receberam críticas. Após a divulgação da foto, hoje seguranças do STF proibiram imagens feitas na vidraça do prédio.
Magistrados disseram que o riso foi provocado por uma piada do ministro Flávio Dino durante a conversa final entre colegas. A brincadeira teria sido feita a partir do tema tributário em discussão no julgamento, que tratava de PIS e Cofins sobre reservas técnicas de seguradoras.
Flávio Dino também brincou com Fux e disse que o nó da gravata dele estava horrível e que tinha confundido gravata com outra coisa. Dino costuma brincar com Fux, chamando ele de "sensei", pois o colega é faixa preta de judô. E o próprio Dino lutou judô também. Daí, ele disse que iria trocar de "sensei", e todos riram também, segundo o UOL apurou.
Mendonça pediu relatório à PF contra Moraes
Mendonça retirou o sigilo da investigação que revelou mensagens entre Moraes e Vorcaro. Conversas foram obtidas pela PF em investigação sobre o Banco Master. Inquérito revela troca de mensagens entre os dois. Em novembro de 2025, o banqueiro consultou Moraes sobre o risco de prisão e a possibilidade de deixar o Brasil. "Acha que segunda já tenho que estar fora?", escreveu em 15 de novembro. Os investigadores veem indício de que eles tratavam do avanço da Operação Compliance Zero.
Na véspera de sua prisão, Vorcaro voltou a questionar Moraes. "Você acha que existe alguma chance de isso acontecer amanhã de manhã?", perguntou em 16 de novembro, quando a ordem de prisão ainda não havia sido assinada pela 10ª Vara Federal do Distrito Federal. A prisão o banqueiro ocorreu no dia seguinte no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando ele tentava embarcar em um jatinho particular.
Não é possível saber o que Moraes teria respondido. O banqueiro e o ministro do STF trocavam conteúdos em modo de visualização única, por meio de capturas de tela de textos redigidos no aplicativo de notas do celular, o que preservou apenas imagens enviadas por Vorcaro.
Mendonça também pediu manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre o material. Por sua vez, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, opinou pela dupla nulidade do processo. Segundo Gonet, ordem dada à PF para investigar pessoas específicas, sem pedido da PGR ou da própria polícia, excede os limites de competência do ministro na fase pré-processual. Gonet também foi citado no relatório da PF.
Mendonça comunicou ao presidente Fachin sobre o relatório da PF e pediu julgamento para deliberar sobre avanço na investigação. O relator ainda deve apresentar seu próprio relatório sobre o documento do PF e a manifestação da PGR. Depois disso, Fachin deve agendar a sessão de julgamento.
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