A investigação da Polícia Civil do Espírito Santo que colocou David Corrêa, atacante do Vasco, e Hayner, lateral do Vila Nova, no radar de uma operação contra o tráfico interestadual de drogas e armas começou a partir da análise de um aparelho celular apreendido após uma tentativa de homicídio ocorrida em 2024, em Serra, região metropolitana da Grande Vitória.
O principal suspeito do crime foi preso e teve o celular apreendido e, com autorização judicial, a polícia teve acesso ao conteúdo do telefone. Segundo apuração do UOL, com fontes ligadas à investigação, teriam sido encontradas em um aplicativo de mensagens conversas com supostos diálogos entre os dois atletas e outros integrantes do grupo. Também foram encontrados registros de transferências bancárias e pix.
A partir da análise das conversas e das movimentações financeiras, os policiais identificaram supostas negociações envolvendo armas e drogas no Espírito Santo — o que levou à inclusão dos atletas na apuração.
A operação, batizada de A Tropa, foi deflagrada nesta segunda-feira (31) e mobilizou cerca de 100 policiais. São cumpridos quatro mandados de prisão temporária e 15 de busca e apreensão no Espírito Santo, Rio de Janeiro, Goiás e Distrito Federal.
Amigo de infância
A investigação também chegou a uma pessoa que, segundo os investigadores, possui uma relação antiga com os jogadores. Trata-se de um homem que teria crescido na mesma região que David e Hayner, em Serra Dourada, na Serra. Ele é apontado pela investigação como uma das lideranças do tráfico de drogas na região.
Esse homem já havia sido preso em razão da investigação da tentativa de homicídio que deu origem à apuração.
A ligação de infância entre ele e Hayner foi mencionada pelo próprio jogador após a operação. Em nota divulgada nesta segunda-feira, o Vila Nova afirmou que o atleta nega qualquer envolvimento com atividades ilícitas e acredita que tenha sido incluído entre os alvos da investigação justamente por causa da amizade de infância com um dos investigados.
Segundo o clube, Hayner colaborou com as autoridades e segue exercendo normalmente suas atividades profissionais. A residência do jogador e seu armário pessoal no centro de treinamento do Vila Nova foram objeto de busca e apreensão.
O UOL entrou em contato com a assessoria de David e Heyner e não obteve resposta até a publicação desta matéria.
Quatro prisões temporárias
Além das buscas, a operação cumpriu quatro mandados de prisão temporária. Dois deles foram cumpridos dentro de unidades prisionais da Grande Vitória. Um dos presos seria justamente o homem apontado como principal suspeito da tentativa de homicídio que deu origem à investigação.
Os outros dois mandados foram cumpridos em Brasília, e outro em Afonso Cláudio, na região serrana do estado capixaba.
O que a polícia investiga
A investigação apura a atuação de uma organização criminosa com ramificações interestaduais e suspeitas de envolvimento com tráfico de drogas, tráfico de armas e lavagem de dinheiro. A operação é coordenada pelo Centro de Inteligência e Análise Telemática (CIAT) e pela Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme).
Segundo a investigação, a análise dos celulares apreendidos foi fundamental para identificar novos integrantes e pessoas que poderiam ter algum tipo de relação com o grupo.
No caso dos jogadores, ainda não está esclarecido qual seria exatamente a participação individual de cada um. A investigação continua em andamento. Os dois titulares são investigados e ainda não houve conclusão sobre eventual responsabilidade criminal.
David teve a casa, na Barra da Tijuca, e o centro de treinamento do Vasco, em Jacarepaguá, alvos de mandados de busca. O Vasco informou que colabora com as autoridades e aguarda a conclusão da investigação.
Hayner, por sua vez, teve a residência e o armário pessoal no CT do Vila Nova alvos das diligências. O clube afirma que o jogador nega qualquer envolvimento com atividades ilícitas.
A investigação segue sob sigilo, e a Polícia Civil ainda deve esclarecer quais elementos foram encontrados nas buscas e qual é a relação individual atribuída a cada um dos investigados.
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.