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UOL há 62 d • Sáb, 29 Ago 2026 23:58:00 -0300

Lendário Trem da Morte volta a operar na Bolívia

O icônico Trem da Morte, que liga a boliviana Puerto Quijarro, na fronteira com o Brasil, a Santa Cruz de la Sierra, voltou a operar após um hiato de seis anos, provocado pela pandemia de Covid-19.

Operado pela Ferroviaria Oriental, o trem recebeu este nome no passado devido ao número de acidentes, como descarrilamentos, e também por ter sido rota para o transporte de pacientes com doenças como febre amarela.

A partir de Puerto Quijarro, o trem inicia as viagens aos domingos às 13h, e tem paradas em El Carmen, Roboré e San José, antes de chegar a Santa Cruz, maior cidade boliviana, com 1,6 milhão de habitantes, segundo o INE (Instituto Nacional de Estadística), o equivalente no país ao IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No sentido oposto, as viagens ocorrem às sextas-feiras, às 13h.

A estação ferroviária no município fronteiriço tem um saguão que se assemelha aos de rodoviárias no interior do Brasil, com poucos guichês para a venda de passagens e cadeiras espalhadas pelo espaço para que os passageiros aguardem o horário de saída do trem.

No total, 618 quilômetros separam Puerto Quijarro de Santa Cruz de la Sierra, mas a viagem chega a demorar até 20 horas, dependendo das condições encontradas. As passagens custam em média o equivalente a R$ 160 e podem ser compradas na estação de Puerto Quijarro ou pela internet.

Um trem brasileiro, que ligava Bauru, no interior paulista, a Corumbá (MS), também ganhou a alcunha de Trem da Morte, especialmente a partir dos anos 60, quando houve a desaceleração gradual de investimentos nas estradas de ferro, resultando em aumento no total de acidentes.

Puerto Quijarro é um pequeno município de 17.974 habitantes, que faz fronteira terrestre com Corumbá, o que significa que bastava o passageiro desembarcar na cidade sul-matogrossense, passar pela fronteira e embarcar em "outro" Trem da Morte.

A rota, frequente para mochileiros brasileiros, passa pela Chiquitania, região boliviana com belas paisagens naturais e não tem mais os riscos do passado –poltronas com boa inclinação, TV e ar condicionado fazem parte do trem. As composições simples e inseguras deram lugar a locomotivas e vagões mais modernos, assim como os trilhos. Eles, porém, ainda chacolham bastante, relataram passageiros.

A Ferroviaria Oriental administra 1.244 quilômetros de trilhos na Bolívia, que se conectam com os sistemas ferroviários de Argentina e Brasil.

A extensão é semelhante aos 1.272 quilômetros operados pela Estrada de Ferro Noroeste do Brasil entre Bauru e Corumbá.

A Noroeste do Brasil, que começou a ser construída em 1905, passou a fazer parte da RFFSA (Rede Ferroviária Federal S.A.) em 1957, onde ficou até a concessão à Novoeste em 1996. Foi a morte dos trens de passageiros, já que o contrato com o governo federal não estabelecia a obrigatoriedade de manter esse tipo de transporte

Da empresa, em parceria com a Ferroban e a Ferronorte surgiu a Brasil Ferrovias, que depois passou a ser Nova Novoeste, até ser incorporada à ALL (América Latina Logística). Esta, por sua vez, foi absorvida pela Rumo Logística, atual detentora da concessão da ferrovia, mas o contrato inclui apenas algumas estações. A maior parte delas está sob responsabilidade do governo federal.

Das 122 estações erguidas entre Bauru e Corumbá, ao menos 80 foram demolidas ou estão em processo avançado de deterioração, abandonadas ou fechadas, sem uso algum. Essa história foi contada aqui.

Para os turistas brasileiros interessados em viajar no histórico trem, não é necessário visto para entrar na Bolívia. É preciso, porém, que os estrangeiros passem pelo controle imigratório no posto localizado entre Corumbá e Puerto Quijarro. Além de passaporte, é preciso que os brasileiros apresentem à imigração comprovante de vacinação contra a febre amarela.

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