O Grêmio é o primeiro clube do Brasil a receber um bloqueio de contratações da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), que fiscaliza o fair-play financeiro no País. Na prática, o clube só pode inscrever novos atletas se receber autorização da agência, mas não há um bloqueio completo.
O motivo é que a gestão gremista apresentou um plano de pagamento coletivo de R$ 16 milhões a credores à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) após 30 de abril, data em que as novas regras passam a ser consideradas para "eventos de insolvência".
O entendimento da direção gaúcha é de que não há uma infração no fair-play financeiro, mas que as regras estão sendo cumpridas e que esse é o caminho para sanar as dívidas. O clube também não pretende fazer novas contratações nesta janela e, portanto, não vê prejuízo prático.
"O bloqueio (na inscrição de atletas) não é penalidade e não depende de julgamento prévio sobre a gestão do clube", justifica a ANRESF em comunicado. Isso é feito, segundo a agência, para que o clube não gaste em uma janela de transferência mais do que arrecadou com vendas de atletas.
"Sem uma trava no registro, as duas regras seriam facilmente contornadas. O bloqueio garante que qualquer nova contratação passe por conferência prévia, e não por correção posterior - quando o compromisso financeiro já teria sido assumido", completa o comunicado da ANRESF.
O Grêmio aponta um faturamento de R$ 167 milhões com vendas no exercício de 2026, valor maior do que o que foi gasto nas janelas de transferências até aqui. A média salarial, com liberação de atletas, também está adequada, conforme análise do clube.
A liberação da agência para contratações depende de que exista saldo positivo acumulado com receitas de transferências de atletas na janela de registro vigente e de que os gastos com taxas e comissões da nova contratação, somados aos já realizados no período, permaneçam iguais ou inferiores ao total arrecadado.
Agora, além do plano na CNRDB, o Grêmio também vai discutir um acordo de reestruturação junto à ANRESF. O clube precisará apresentar projeções financeiras para dois exercícios sociais, além de medidas concretas de saneamento e o estabelecimento de teto de gastos com o departamento de futebol.
A partir do acordo, é estabelecido um prazo para que o bloqueio preventivo continue em vigor. Também podem ser definidos metas, exigências e limites adicionais. Isso é feito em até 60 dias. Já o plano na CNRD tem 90 dias para aprovação. Os dois prazos fecham ainda antes da abertura da próxima janela de transferências.
ENTENDA AS REGRAS DO FAIR-PLAY FINANCEIRO NO BRASIL
São três datas para que os 40 clubes das séries A e B apresentem duas dívidas. O primeiro foi em 11 de maio. Em julho, foram apresentados os débitos até junho. Já em novembro serão demonstrados aqueles contraídos até outubro.
A ANRESF prevê que os clubes sanem dívidas antigas até 30 de novembro de 2026. Até lá, essas podem render apenas advertências.
Já aquelas contraídas a partir de janeiro, há diferentes sanções, que passam por advertência pública, multas financeiras, retenção de receitas, transfer ban, perda de pontos, rebaixamento e cassação da licença.
O São Paulo corre risco de sofrer um bloqueio semelhante ao do Grêmio. O clube recebeu uma advertência da ANRESF após notificação do Novorizontino, que cobra uma dívida do clube tricolor pela contratação de Djhordney, em janeiro deste ano. O prazo para o pagamento é no fim de setembro.
Embora o São Paulo afirme que tenha um acordo com o clube do interior para renegociação, o Novorizontino nega. Djhordney foi formado pelo time de Novo Horizonte, chegou a ir para o Palmeiras ainda na base e chegou ao São Paulo antes de subir para o profissional.
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