O dólar assumiu viés de alta após abertura estável, cotado a R$ 5,157, com agentes de mercado aguardando fala do presidente do Banco Central e de CEOs de grandes grupos financeiros em evento do setor. Na Bolsa, o índice de ações Ibovespa reagiu após abertura negativa, com investidores reagindo ainda ao pedido de recuperação judicial da Braskem.
O que acontece
Dólar assume viés de alta. Após abertura ao redor da estabilidade, a moeda dos Estados Unidos passou a ser cotada no comercial para a venda a R$ 5,151 às 15h20, variação de mais 0,11% ante fechamento de ontem.
Na semana passada, a divisa oscilou entre R$ 5,14 e R$ 5,22. Dólar fechou na mínima, em movimento influenciado pelo retorno de alguma entrada de recursos externos na Bolsa após semanas de saldo líquido negativo.
O real foi favorecido semana passada pelo fechamento da curva de juros doméstica e pela recuperação da Bolsa. Apesar disso, essa melhora do câmbio deve ser observada com cautela, principalmente diante das incertezas eleitorais e fiscais. Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora
Preço do petróleo abre semana em queda após rondar máximas em dois meses. O contrato futuro do Brent com vencimento em outubro cedia 1,9% por volta das 12h (horário de Brasília), cotado a US$ 90,90. Agentes de mercado seguem monitorando negociações entre Estados Unidos e Irã, para reabertura do trânsito pelo Estreito de Hormuz, rota marítima na costa iraniana por onde escoavam 20% do fornecimento diário mundial da commodity antes da guerra.
Presidente de Banco Central e de maiores grupos financeiros são destaques em evento do setor. Gabriel Galípolo e os CEOs abrem Febraban Tech 2026 como foco na inteligência artificial. Os CEOs das principais instituições financeiras que atuam no Brasil vão mostrar como estão usando IA e agentes inteligentes para ganhar escala e gerar inovação sem abrir lacunas de segurança em um cenário de aceleração dos investimentos em tecnologia.
Presidente do Banco Central defendeu Pix como instrumento de inclusão financeira, mas admitiu que ferramenta ampliou endividamento. No evento da Febraban, Gabriel Galípolo, saiu em defesa do Pix e afirmou que o sistema de pagamentos instantâneos ampliou o acesso da população ao sistema financeiro. Ele, no entanto, reconheceu que a inclusão contribuiu para o aumento do endividamento.
Mercado mantém previsões de inflação e juros, mas vê alta menor do PIB. No Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com uma centena de agentes de mercado, a mediana para a inflação medida pelo IPCA seguiu em 5,02% no fim deste ano, para a taxa básica de juros, para as expectativas mostraram que a taxa básica de juros ainda deve cair 0,25 ponto percentual neste ano, dos atuais 14% ao ano para 13,75% ao ano. Já para o crescimento, a projeção caiu para 1,85% em 2026. ante previsão de avanço de 1,98% na semana passada.
Ibovespa caminha para quarta alta seguida. Após abertura negativa, o principal índice de ações da Bolsa do Brasil B3 subia 0,74% às 15h20, marcando 172.290 pontos, na máxima do dia.
Indicador alcançou três pregões de alta, após ter emendado 11 sessões seguidas de perdas. Segundo analistas, o fluxo de investidores estrangeiros, que respondem por cerca de 60% do giro de negócios na B3, sustentou a demanda por papéis de peso no indicador, como Petrobras e Vale na sexta-feira. Também houve a presença dos investidores locais institucionais, como fundos de pensão e grandes gestoras, que aportaram quase R$ 5 bilhões nas sessões da semana passada.
Braskem consegue adesão e protocola pedido de recuperação extrajudicial. A petroquímica alcançou um terço dos credores para avançar com a reestruturação da dívida, da ordem de R$ 55 bilhões, a maior parte em dólares. Companhia tem agora 60 dias para definir sua proposta e, daí, conquistar a maioria dos credores e, então, receber sinal verde final da Justiça para refinanciar os compromissos. Ações da empresa recuam hoje para mínima história. B3 disse que vai excluir papéis dos índices acionários.
Para a Petrobras, pode haver algum impacto da recuperação extrajudicial da Braskem, mas tende a ser mais restrito. A estatal possui 47% do capital votante da Braskem e mantém contratos relevantes de fornecimento de matérias-primas, mas suas ações continuam muito mais sensíveis ao preço internacional do petróleo, à política de dividendos e às decisões do governo. Entre outras empresas petroquímicas, o episódio pode elevar o prêmio de risco e o cuidado com companhias endividadas, sem significar um contágio automático para todo o setor. Fábio Murad, Consultor da Wiser Asset
Petrobras subiu 5,2% semana passada. Na sequência seguida, as ações PN (preferenciais a dividendos) subiram de R$ 42,09 a R$ 44,30, acompanhando uma semanada de preço do petróleo resiliente e notícias sobre exploração no Brasil. Hoje, papéis recuam quase 3%, para R$ 41,86, pressionados por evento da Braskem e queda do petróleo no exterior.
Vale emendou três pregões de alta. Os papéis da mineradora também subiram 5,2% na semana passada, a R$ 75,03, acompanhando uma semana positiva para o preço do minério no exterior. A companhia pode ver seu valor de mercado saltar dos atuais R$ 632 bilhões para R$ 811 bilhões até o fim do ano, segundo estimativa baseada em um relatório do Itaú BBA, que analisou a descoberta. Hoje sobe mais 2,9%, a R$ 77,23.
Eneva vende R$ 2,4 bilhões em debêntures. Metade da colocação foi para o BTG Pactual. Recursos serão utilizados integralmente para execução do plano gestão de passivos, mediante a liquidação antecipada de contratos de dívida. Papéis da empresa subiram 3,7% semana passada, a R$ 25,36.
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