Em sabatina promovida por Folha e UOL nesta quinta-feira (20), o deputado federal Patrus Ananias, 74, afirmou que o pedido do presidente Lula (PT) para que ele fosse o candidato do partido ao Governo de Minas Gerais, após a desistência do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), encontrou "ampla acolhida" em seu coração.
O nome de Patrus foi apresentado como uma opção consensual para o pleito após uma indefinição sobre quem figuraria na cabeça de chapa do palanque de Lula em Minas, estado-chave para a corrida eleitoral.
No fim de maio, Rodrigo Pacheco (PSB), por quem Patrus diz nutrir "grande apreço", anunciou que não concorreria e comunicou o interesse de deixar a vida pública após o fim de seu atual mandato.
Patrus ainda declarou que Alexandre Kalil (PDT), também candidato ao governo mineiro, "não quis" se juntar a uma chapa única de esquerda a seu lado.
Já em junho, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos, então favorita de Lula ao posto, demonstrou resistência ao convite do PT, fez críticas a uma candidatura própria do partido, qualificando a decisão como um "equívoco estratégico", e hoje segue como candidata ao Senado Federal.
Desse modo, o PT passou a considerar a candidatura do deputado federal, um dos políticos mais antigos e identificados com a esquerda mineira. A escolha foi oficializada no fim de julho. Jarbas Soares Júnior (PSB), ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, concorre como vice.
Durante a entrevista, Patrus buscou se afastar do legado de Fernando Pimentel (PT), governador do estado de 2015 a 2018. Em 2019, o ex-governador foi condenado pela Justiça Eleitoral por tráfico de influência e lavagem de dinheiro durante o período em que foi ministro da presidente Dilma Rousseff.
"Eu tenho amizade pessoal com o ex-governador Fernando Pimentel, que foi secretário da Fazenda quando fui prefeito de Belo Horizonte, mas ele foi tomando seu caminho político, e eu também tomando os meus rumos", disse o candidato. "Eu não respondo por ele, eu respondo pela minha história."
A dívida recorde do estado à União, tema corrente nos debates estaduais nesta corrida eleitoral, também foi assunto da conversa. Do montante de cerca de R$ 200 bilhões, foram abatidos 20% via Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), o que permitirá o pagamento de cerca de R$ 181 bilhões em até 30 anos.
O candidato afirmou que a dívida será renegociada, mas não esquecida. "Mas não vamos colocá-la como prioridade, nem pagá-la imediatamente. Vamos discutir por que essa dívida foi contraída e quais as possibilidades de refazer alguma dimensão dela com investimentos públicos em Minas", disse.
Em diversas questões, como segurança, privatizações e dívida do estado, Patrus deu respostas genéricas, falando em "negociações", olhar humano e diálogo, mas não apresentou propostas concretas ou novas sobre as questões. Ele, inclusive, mostrou irritação ao ser questionado sobre suas evasivas.
Disse, contudo, que não pretende desprivatizar a Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais). "Vamos trabalhar para que quem assumiu a empresa cumpra bem as suas responsabilidades públicas", ele afirmou. O candidato reforçou que busca uma relação de respeito com o setor privado, e mencionou que deseja preservar empresas públicas como a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) e a Codemig (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais).
Patrus resistiu a fazer o pinga fogo previamente combinado e se mostrou confuso em temas como voto impresso e proibição do Discord, plataforma de mensagens que está no centro de uma controvérsia após transmitir, ao vivo, a morte de uma adolescente de 13 anos.
Na sabatina, ele ainda defendeu uma perspectiva ética no trato com as plataformas de redes sociais e assistentes de inteligência artificial, e disse que não quer repetir estratégias de mobilização digital nos moldes de candidatos da direita, como o senador Cleitinho (Republicanos), seu adversário direto no pleito estadual, e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), candidato à reeleição. "Eu prefiro perder as eleições a trair os princípios e valores que trago comigo", disse.
"Eu defendo que nós avancemos para normatizar as redes sociais de forma democrática, para que elas não sejam o espaço da mentira, do engodo e do incitamento à violência", afirmou.
O candidato é o segundo postulante ao Executivo mineiro entrevistado na série, que recebeu Alexandre Kalil (PDT) na última quinta-feira (13). Outros candidatos ao governo de Minas serão entrevistados nas próximas semanas.
A entrevista, com cerca de uma hora de duração, foi conduzida pelas jornalistas Fabiola Cidral e Thais Bilenky, do UOL, e por Artur Búrigo, da Folha.
Patrus Ananias, nascido em Bocaiúva (MG), advogado, professor e mestre em direito processual, filiou-se ao PT em 1981. Prefeito de Belo Horizonte (1993-1996), implantou o Orçamento Participativo. Foi ministro de Lula e Dilma, consolidou o Bolsa Família e é deputado federal desde 2019.
Ele teve ainda duas candidaturas ao Executivo estadual e municipal frustradas. Em 1998, o político ficou em terceiro lugar na sua primeira disputa para o governo de Minas, ficando atrás de Eduardo Azeredo e Itamar Franco, que foi eleito. Em 2012, ele foi derrotado no pleito pela prefeitura de Belo Horizonte por Marcio Lacerda, então candidato do PSB.
O candidato segue em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto para as eleições deste ano, marcando 10% no levantamento Quaest de 28 de julho.
Com a porcentagem, Patrus se mantém tecnicamente empatado com Alexandre Kalil (12%) dentro da margem de erro de três pontos percentuais, mas mantém distância do candidato Cleitinho, que liderava com 35% das intenções.
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