Não existe "sucessor natural" do presidente Lula (PT) neste momento e a próxima liderança da esquerda brasileira só se forma em processos coletivos de luta, disse João Paulo Rodrigues, diretor do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), no Frente a Frente, do Canal UOL.
Ao comentar o debate sobre o pós-Lula e nomes que circulam como possíveis herdeiros políticos, Rodrigues sustentou que a esquerda não "produz" lideranças por indicação individual e afirmou que o cenário para 2030 ainda está em aberto.
Quero deixar registrado que não há sucessor natural do presidente Lula, nem quem está com mandato, nem governador, nem ministro, ou quem se autodeclara o 'pós-Lula'. Está em aberto e a história é muito rigorosa com quem queira se sentar na cadeira no próximo período.
Na tradição da esquerda, eu desconfio que o que forma lideranças não é a vontade do indivíduo de passar o bastão de pai para filho, irmão, amigo. É mais complexo. O que forma a liderança na esquerda são processos coletivos de luta.
Para ser liderança nesse país, a pessoa tem que participar de uma greve, ser dirigente de uma greve, de uma ocupação de terra, estar em uma mobilização popular, em uma elaboração coletiva. Não pode ser produzido liderança somente porque o Lula achou que fulano é bom, vou indicar. Isso não funciona na esquerda. João Paulo Rodrigues, diretor do MST
Para o dirigente do MST, a esquerda tem como tarefa imediata "a reeleição do Lula" e a manutenção da unidade, com "uma frente ampla, combinada com a frente popular". Ele avaliou que a frente ampla só se sustenta se houver uma base popular organizada.
Rodrigues também descartou a ideia de que já exista um nome pronto para ocupar o lugar de Lula quando o presidente sair de cena. "Não há substituto do Lula", disse, ao afirmar que o próximo período depende de como a esquerda sairá da eleição e da correlação de forças no Congresso e nos governos estaduais.
Eu não tenho dúvida, primeiro, de que não há substituto do Lula. Não adianta dizer sobre fulano, não tem. Ou seja: 2030 está em aberto. Nós podemos ter candidatos de todas as naturezas e está em aberto. João Paulo Rodrigues, diretor do MST
Questionado sobre nomes citados no debate público, ele disse que Fernando Haddad e Guilherme Boulos "estão credenciados", mas ponderou que nenhum deles tem "cargo garantido" como sucessor. Rodrigues ainda mencionou que há "companheiros nos estados", incluindo "mulheres jovens da periferia", governadores e parlamentares.
Tanto o Haddad como o Boulos estão credenciados. Nós temos um monte de outros companheiros nos estados, mulheres jovens da periferia, que são candidatas. Agora, nenhum deles tem cargo garantido para ser sucessor do Lula.
Vai depender do resultado dessas eleições e da combinação com a esquerda e com o povo brasileiro. Está em aberto. João Paulo Rodrigues, diretor do MST
O diretor do MST afirmou ainda que antecipar a disputa pela sucessão pode "queimar etapas" e virar "falta de respeito com a história do presidente". Ele disse ter conversado sobre isso com o prefeito do Recife, João Campos, e avaliou que o debate vai surgir "inevitavelmente", mas "será pela esquerda".
Qualquer um que queira dizer que vai substituir o Lula agora seria uma falta de respeito com a história do presidente e queimaria a etapa do que será o futuro. Então vamos aguardar mais uns dias pra gente saber como vai aparecer esse debate. João Paulo Rodrigues, diretor do MST
Não é só o MST. Faltou à esquerda ir mais às ruas. Se você pegar os nossos Primeiros de Maio, foram fracos. Nós deveríamos ter feito mais lutas contra a presença da 'política imperialista' no Brasil. O tema da escala 6x1, se nós não formos para as ruas, vai morrer no engavetamento do Congresso e do Senado Federal. João Paulo Rodrigues, diretor do MST
No Frente a Frente, os colunistas Daniela Lima e Fábio Zanini mergulham nos bastidores de Brasília para trazer análises exclusivas e informações sobre o cenário político nacional e as articulações para as eleições de 2026.
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