Candidato a governador do Paraná pelo PSD, o deputado federal Sandro Alex tentou se equilibrar no palanque de dois presidenciáveis, Ronaldo Caiado (PSD) e Flávio Bolsonaro (PL), ao falar sobre as alianças para as eleições de 2026 durante sabatina promovida por Folha e UOL nesta segunda-feira (17).
Sandro Alex afirmou que seu partido tem candidato ao Planalto e que apoia o nome de Caiado. Ao mesmo tempo, enfatizou a ligação entre o atual governador Ratinho Junior (PSD) e o ex-presidenciável Jair Bolsonaro (PL) e acrescentou que parte de seus apoiadores na corrida ao Palácio Iguaçu "estão naturalmente apoiando Flávio Bolsonaro".
"A população reconhece que o grande apoiador e o maior aliado do Jair Bolsonaro foi Ratinho Junior", disse Alex, na tentativa de conquistar a fatia do eleitorado bolsonarista.
O PL do ex-presidente abrigou o senador Sergio Moro, que agora concorre ao Governo do Paraná.
"Nós estaremos com o candidato do partido, que é o Caiado. Mas também temos lideranças que caminham conosco que entendem que o nome [para a presidência] pode ser do Flávio, do Renan ou do Zema", afirmou ele, para quem "o importante é buscar a mudança no governo federal".
A entrevista desta segunda teve uma hora de duração e foi conduzida pelo jornalista Diego Sarza (UOL), com participação dos jornalistas Leonardo Sakamoto (UOL) e Bruno Ribeiro (Folha).
Outros dois candidatos ao Governo do Paraná já foram sabatinados. O senador Sergio Moro participou no dia 7, e o deputado estadual Requião Filho (PDT), dia 11.
Ao ser questionado sobre posições da candidata Cristina Graeml (PSD), que está na sua chapa como uma das concorrentes ao Senado, Alex evitou bater de frente com a aliada, mas depois acrescentou que "a gente não precisa das brigas de Brasília".
"As defesas dentro do Congresso Nacional, que são importantes em Brasília, nós não precisamos delas, para as discussões que temos no Paraná. O Paraná tem hoje sua linha de metodologia, diferente da ideologia, e deu certo ao longo de dois mandatos de Ratinho Junior, com dois presidentes diferentes", disse ele.
O candidato também foi questionado sobre violência policial e se teria propostas para reduzir o número de mortes em confronto com a Polícia Militar –houve aumento de 20,6% entre 2024 e 2025, segundo levantamento do Ministério Público estadual– e respondeu que "cabe aos órgãos de controle fazer a fiscalização de abusos, se houver".
Ele também não citou a possibilidade de câmeras nas fardas, que no Paraná permaneceu em fase de testes sob a gestão Ratinho Junior, sem efetiva implantação.
Ao ser questionado se era a favor ou contra as bets, o candidato afirmou que o assunto merece revisão. "Sou contra bets no formato que foi aprovado. Temos um descontrole de gastos no Brasil, alta taxa de juros, população endividada e jogando mais. Acho que é um assunto importante que os nossos senadores e deputados têm que se debruçar. Acredito que, no formato que está hoje no Brasil, tem prejudicado o país e as famílias", respondeu ele.
Durante a sabatina, ele defendeu a privatização da Copel (Companhia Paranaense de Energia) feita sob a gestão Ratinho Junior e sugeriu que as falhas nos serviços apontadas hoje por clientes do agronegócio têm relação com o crescimento do estado. "Nós estamos precisando agregar investimentos, não só a energia, mas também o gás e a água, para suprir essa demanda."
Sandro Alex foi o nome escolhido pelo atual governador Ratinho Junior para representar o grupo na disputa, sustentado pela maior aliança partidária em relação aos demais concorrentes. Entre as nove siglas que integram a coligação estão o PP, o União Brasil, o MDB e o Republicanos.
O PSD também tem o maior número de prefeituras no Paraná e a maior bancada na Assembleia Legislativa.
Mas, em pesquisas eleitorais, o nome do candidato do PSD aparece atrás de Sergio Moro e de Requião Filho. A expectativa do grupo é que a ida do ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB) para a chapa, como candidato a vice-governador de Alex, influencie nos próximos levantamentos de intenção de voto.
Na última pesquisa Quaest, divulgada em 27 de julho, quando Greca ainda se apresentava como candidato a governador, Alex figurava em quarto lugar com 7%. Na frente dele, estavam Moro, com 39%, Requião Filho, com 18%, e Greca, com 12%.
Sandro Alex tem 53 anos e exerce hoje o quarto mandato na Câmara dos Deputados, mas, de 2019 para cá, passou a maior parte do tempo licenciado para atuar como secretário de Infraestrutura e Logística no Paraná.
O candidato tem formação em direito e começou a carreira profissional no rádio. Seu irmão, o deputado estadual Marcelo Rangel (PSD), já foi prefeito de Ponta Grossa.
A decisão do governador pelo nome de Sandro Alex, em abril, surpreendeu até correligionários. O deputado havia figurado na lista inicial de pré-candidatos do PSD elaborada ainda em 2024, mas foi deixado de lado nos meses seguintes, já que Ratinho Junior trabalhava para alavancar o nome de outro aliado, Guto Silva (PSD), ex-secretário das Cidades.
Mas o desempenho de Guto Silva nas pesquisas, na avaliação do grupo, não teria sido suficiente. Nomes de outros aliados foram cogitados, mas não houve avanço.
Na campanha, Ratinho Junior tem apresentado Sandro Alex como o responsável por tirar grandes obras do papel, em razão da pasta que ocupou no governo estadual. Sua principal vitrine é a ponte de Guaratuba, obra aguardada havia décadas pela população do litoral, e que foi inaugurada em maio.
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