A Oncoclínicas, provedora privada de tratamento oncológico, informou em seu balanço que o prejuízo da marca mais do que quadruplicou no segundo trimestre, chegando a R$ 275,3 milhões. A empresa interrompeu pagamentos de juros após a homologação de um procedimento de mediação com credores no segundo trimestre de 2026.
Destaques do trimestre
A receita líquida somou R$ 1,05 bilhão, queda de 28,5% em um ano. Segundo a companhia, o volume de provisões para perdas com créditos de liquidação duvidosa (PCLD) afetou o resultado. A empresa atribuiu a redução da receita bruta ao desabastecimento de medicamentos, à menor compra de drogas e ao menor volume de tratamentos.
O Ebitda (indicador que mede a geração de caixa) ajustado caiu 85,1%, para R$ 34,3 milhões. A margem Ebitda ajustada ficou em 3,3%, baixa de 12,4 pontos percentuais. A companhia atribuiu o resultado ao menor volume de atendimentos e de receita, enquanto as despesas fixas permaneceram elevadas.
O prejuízo líquido foi de R$ 275,3 milhões, ante R$ 62,3 milhões um ano antes. Este resultado exclui eventos extraordinários do trimestre. Com os efeitos não recorrentes, o prejuízo foi de R$ 475,7 milhões, ante R$ 142,3 milhões no segundo trimestre de 2025. Segundo a companhia, os ajustes incluíram baixa de glosas de anos anteriores, provisão de risco de crédito ligada à Unimed Leste Fluminense, impairment, a baixa contábil do valor de um ativo que perdeu valor de mercado, do BTS de Goiânia e multa de rescisão de locação do Centro Paulista de Oncologia.
O número de procedimentos caiu 32,6%, para aproximadamente 114 mil. Segundo a companhia, o desabastecimento de medicamentos impactou diretamente os atendimentos. O ticket médio subiu 9,5%, para R$ 10.438, com repasse da inflação CMED e interrupção de serviços a fontes pagadoras com negociações comerciais não favoráveis.
O fluxo de caixa operacional gerencial gerou R$ 158,4 milhões, após saída de R$ 153,1 milhões no trimestre anterior. Segundo a companhia, a geração decorreu principalmente da renegociação da forma de pagamento com o maior fornecedor e da normalização dos recebíveis.
A dívida líquida financeira, incluindo aquisições a pagar, chegou a R$ 3,40 bilhões ao fim do trimestre. O valor subiu 4,2% em relação ao primeiro trimestre de 2026.
Os pagamentos de juros foram interrompidos após a homologação da mediação com credores. A medida cautelar que antecedeu o procedimento foi protocolada em 13 de abril. A companhia informou que conversou com credores para reestabelecer o cronograma de amortização das dívidas financeiras e de aquisições.
O que diz a Oncoclínicas
A administração informou que a prioridade permaneceu na retomada operacional e que iniciativas inorgânicas estavam em análise. "Desde o início de 2025, a Companhia vem enfrentando um cenário adverso no âmbito financeiro que fez com que a administração tomasse medidas em relação à sua operação para endereçar estes desafios", afirmaram os administradores.
Oncoclínicas enfrenta forte pressão financeira após pedir recuperação extrajudicial. A empresa tenta renegociar cerca de R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras. O processamento do pedido foi deferido pela Justiça no início de agosto, com período de proteção de 180 dias.
Objetivo da reestruturação é preservar a operação enquanto a companhia reorganiza suas obrigações financeiras. A empresa afirma que o processo não deve afetar o atendimento aos pacientes nem os pagamentos a fornecedores, mas a situação de caixa é um dos principais pontos de atenção.
Agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota de crédito da empresa em março e abril de 2026. Segundo a agência, a "aprovação, pelos credores, da extensão do prazo de pagamento dos juros" de parte das debêntures caracteriza "um evento de inadimplência restrita".
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