O dólar é cotado hoje ao redor de R$ 5,16, após subir 1% ontem, pressionado ainda pelo fluxo negativo de recursos estrangeiros, após reação dos agentes econômicos à ata do Copom, IPCA e relatório do JPMorgan sobre o Brasil. Na Bolsa, o Ibovespa segue com viés negativo, após cair ontem ao menor patamar desde 20 de janeiro.
O que aconteceu
Dólar é negociado em alta. Após abrir com leve queda, a moeda dos Estados Unidos passou a subir nesta quarta-feira, chegando a ser cotada no comercial para a venda a R$ 5,168 às 12h20, variação de mais 0,14%, para depois retornar aos patamares de estabilidade. Às 14h, era negociado a R$ 5,161, menos 0,01%.
Moeda americana subiu 1% ontem para maior cotação em seis semanas. Relatório do JPMorgan e reações dos agentes econômicos à ata do Copom e ao IPCA de julho influenciaram a quedada moeda brasileira, disseram analistas.
O movimento de ontem reflete uma combinação de fatores. O IPCA veio acima do esperado e a Ata do Copom manteve um tom cauteloso, reduzindo as apostas em uma sequência mais rápida de cortes da Selic e pressionando a curva de juros. A revisão da recomendação para o Brasil pelo JPMorgan, a saída de capital estrangeiro e o recuo de ações de grande peso, como bancos, Petrobras e Vale, também contribuíram para a queda do índice. Elson Gusmão, Diretor de Câmbio da Ourominas
Ibovespa ronda estabilidade. Após abrir em baixa, o principal índices de ações da Bolsa do Brasil B3 variava apenas mais 0,07% às 12h20, para 167.995 pontos, sem conseguir firmar viés de alta.
Indicador caiu 2,5% ontem. O Ibovespa fechou em 167.874 pontos, menor patamar desde 20 de janeiro. Segundo analistas, a saída líquida de recursos de investidores estrangeiros, em meio à expectativa de aumento de juros nos Estados Unidos e incertezas sobre a política econômica no Brasil após as eleições reduzem o apetite dos aplicadores pelo mercado de renda variável brasileiro.
Um vetor que pressionou a Bolsa ontem foi o relatório do JP Morgan, rebaixando a recomendação de investimento no Ibovespa de overweight para neutro, apontando uma maior percepção de risco Brasil, com possível estagnação de corte de juros após setembro de 2026 e efeitos das eleições em outubro deste ano. Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital
Economia americana entrou no radar dos aplicadores. Inflação voltou a subir nos Estado Unidos, apesar de queda da gasolina. Após a deflação registrada em junho (-0,4%), o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) subiu para 0,1% em julho, segundo dados do Departamento de Estatísticas Trabalhistas. Nos últimos 12 meses, a variação acumulada é de 3,4%, acima da meta definida pelo Fed (Federal Reserve), Banco Central dos Estados Unidos.
O resultado reforça o quadro de desinflação gradual, mas ainda distante da meta de 2%. A queda do índice cheio partiu principalmente da energia, enquanto boa parte dos itens do núcleo, sobretudo em serviços, ainda subiu no mês. Isso é consistente com uma leitura de mercado que projeta alta de juros não em setembro, mas para outubro. Vitor Kayo, economista sênior da Nomad
Ainda no exterior, preço do petróleo segue pressionado. A incerteza sobre a reabertura do Estreito de Hormuz, para que volte a fluir o trânsito de petroleiros pela rota por onde passavam 20% do fornecimento mundial da commodity antes da guerra, impede uma queda firme dos contratos. O barril com entrega em outubro do barril do tipo Brent, referência internacional da commodity, valia US$ 88,56 às 14h (horário de Brasília), menos 0,6% ante fechamento de ontem, e perto das máximas em dois meses.
Na Bolsa investidores reagem ainda aos balanços de companhias listadas na Bolsa B3. Agentes de mercado analisam números de B3 e PagBank, que divulgaram dados ontem à noite. Após fechamento, analistas recebem os números de Casas Bahia, Amricanas e Oncoclínicas, com atenção voltada para caixa das companhias.
B3 lucra R$ 1,38 bilhões no segundo trimestre. O ganho foi 8% maior que um ano antes. A venda da participação na Dimensa gerou efeito positivo não recorrente de R$ 123,9 milhões. A B3 vendeu a totalidade da participação por R$ 665 milhões. Com os efeitos não recorrentes, o lucro foi de R$ 1,7 bilhão. Hoje à tarde, as ações da B3 cediam 0,8%, a R$ 14,18.
Cury tem lucro da atividade de R$ 311,2 milhões no segundo trimestre, alta de 16,5%. A companhia anunciou distribuição adicional de R$ 190,0 milhões em dividendos em agosto de 2026. Na B3, as ações da empresa do setor imobiliário caíam 1,4% a R$ 31,07.
PagBank lucrou R$ 576 milhões no segundo trimestre. Receita líquida somou R$ 3,38 bilhões no trimestre, alta de 1,7% em um ano. Retorno sobre o patrimônio líquido médio dos acionistas (ROAE) ficou em 15,6%, avanço de 0,3 ponto percentual em um ano. Em Nova York, os papéis do banco digital fecharam valendo US$ 8,89.
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