A Natura, fabricante de cosméticos dona das marcas Natura e Avon, teve prejuízo de R$ 410 milhões no primeiro semestre de 2026, revertendo o lucro de R$ 44 milhões apurado no mesmo período de 2025, informou a empresa em seu balanço trimestral. Isolado, o segundo trimestre ainda teve lucro, mas bem menor que um ano antes.
Destaques do trimestre
No segundo trimestre isolado, a Natura lucrou R$ 35 milhões, queda de 92,1% em relação aos R$ 446 milhões apurados nas operações continuadas do mesmo período de 2025. A empresa atribui a queda principalmente à deterioração de R$ 320 milhões no resultado financeiro, por custos de liquidação de derivativos que protegem títulos de dívida em dólar e por uma base de comparação mais favorável no ano passado.
A receita líquida somou R$ 5,17 bilhões no trimestre, queda de 9,1% em um ano. Segundo a companhia, o resultado foi pressionado pela falta de produtos no Brasil — ligada à estabilização de um novo sistema de planejamento e ao fechamento de uma fábrica —, por um cenário de consumo fraco e por uma mudança temporária na cobrança do ICMS em São Paulo, que sozinha retirou cerca de dois pontos percentuais das vendas líquidas do país.
Enquanto o Brasil recuou, os mercados hispânicos (América Latina exceto Brasil) cresceram 7,2% em moeda constante — cálculo que exclui o efeito da variação cambial. O avanço foi impulsionado por México e por uma recuperação gradual na Argentina. Em reais, porém, o crescimento foi de apenas 0,7%, porque a contabilidade de hiperinflação usada na Argentina e o câmbio reduziram os ganhos.
O Ebitda (indicador que mede a geração de caixa) somou R$ 620 milhões no trimestre, queda de 5,9% em relação ao valor reportado um ano antes, com margem de 12,0%. A empresa também compara o número com a margem ajustada de 14,0% de 2025 — já que deixou de ajustar o indicador a partir deste ano — e, nessa base, a retração foi de 2,0 pontos percentuais. Segundo a Natura, o efeito tributário em São Paulo tirou 1,2 ponto percentual da margem; sem ele, o Ebitda teria margem de 13,2%.
Os investimentos (capex, ou seja, o dinheiro aplicado em lojas, tecnologia e estrutura) somaram R$ 49 milhões no trimestre, queda de 52,4% em um ano. A companhia atribui a redução ao ritmo mais lento de abertura de lojas franqueadas, em meio à transição para um novo modelo de contrato com franqueados.
A dívida líquida terminou o trimestre em R$ 3,86 bilhões, queda de R$ 179 milhões em relação ao trimestre anterior. A relação entre dívida líquida e Ebitda dos últimos 12 meses (alavancagem) caiu de 2,12 vezes para 2,06 vezes. A Natura diz que a redução veio da geração de R$ 342 milhões em caixa livre para a firma e da entrada de R$ 160 milhões de investidores de um fundo de recebíveis, parcialmente compensadas pelo pagamento de juros e pela liquidação de derivativos.
O que diz a Natura
A companhia afirma que boa parte dos desafios do primeiro semestre foi autoimposta — ou seja, problemas de execução, e não questões estruturais do negócio. Segundo a empresa, isso ocorreu embora o cenário macroeconômico também tenha contribuído. A Natura diz que a eficiência do novo modelo operacional e uma margem bruta saudável sustentaram a rentabilidade do Brasil numa faixa entre 15% e 17%, que subiria para a faixa de 17% a 19% sem o efeito temporário do imposto em São Paulo.
A Natura informa ter reorganizado a liderança executiva no primeiro trimestre de 2026 e renovado o conselho de administração para reforçar a governança. De acordo com a companhia, uma força-tarefa foi criada para resolver gargalos na cadeia de suprimentos e estabilizar os sistemas de suporte ao longo do segundo semestre.
A empresa diz estar revisando sua ambição de alcançar expansão de margem Ebitda reportada em 2026 em relação a 2025. Ainda assim, afirma que espera gerar caixa livre para a firma positivo e superior ao de 2025, mantendo a alavancagem dentro da faixa que considera ideal.
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