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UOL há 84 d • Seg, 10 Ago 2026 00:11:00 -0300

Governo Lula e violência viram temas de Tarcísio e Haddad em debate; veja como foi em 8 pontos

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) duelaram neste domingo (9) no que foi o primeiro debate entre candidatos ao Governo de São Paulo desta temporada eleitoral.

O encontro teve alta voltagem nacional e troca de ofensas entre os candidatos, com reincidentes e mútuas acusações de "faltar com a verdade". O petista chegou a dizer que seu adversário deveria responder na Justiça por improbidade administrativa.

Logo na primeira parte do programa, Haddad sugeriu que seu adversário era ingrato ao não reconhecer parcerias firmadas entre o estado que governa e o governo federal, e também resistir a ajudas oferecidas pela gestão lulista. Uma das críticas: a demora em aderir ao Propag, mecanismo criado pelo governo Lula para que os estados renegociem débitos com a União.

"Você perdeu R$ 1 bilhão por mês porque você não quis tirar uma foto do lado do presidente", disse.

Tarcísio rejeitou interferência política em sua decisão. Afirmou também que empréstimos internacionais para o estado e financiamentos com o Banco do Brasil para financiar uma linha do metrô paulista estão sendo travados pelo governo Lula. "A visão não é tão republicana assim, vamos restabelecer [a verdade]."

Tarcísio disse, a certa altura, que o petista estava "muito focado" em Jair Bolsonaro e deveria esquecê-lo, pois "não está concorrendo com ele mais", evocando a disputa presidencial de 2018.

Haddad retrucou perguntando se o governador estava envergonhado do seu antigo padrinho político. Tarcísio afirmou que "gratidão não se prescreve" e que sempre a terá pelo ex-presidente, a quem atribuiu portas abertas em sua vida.

Em outro momento, o ex-ministro da Fazenda questionou por que Tarcísio teria colocado uma "tia do Eduardo Bolsonaro" como sua secretária de Políticas Públicas para a Mulher. A deputada estadual Valéria Bolsonaro (PL) foi nomeada para o cargo em 2024, mas, ao contrário do que Haddad afirmou, não é tia do filho de Jair Bolsonaro. "É uma prima muito distante", sem relação direta com a família, afirmou Tarcísio.

O petista fustigou Tarcísio por ter vestido acessório com o slogan trumpista Make America Great Again, meses antes de Donald Trump começar a impor tarifas comerciais contra o Brasil. "O que o governador tem que fazer é colocar o boné certo" na cabeça, o "boné brasileiro", disse.

Haddad disse que, quando um país ataca o Brasil por razões "meramente ideológicas", o que se espera é "a união nacional em torno da tese de defender os interesses locais". Associou na sequência as investidas americanas contra o país a "um grupo político que resolveu apoiar o agressor", alusão óbvia ao bolsonarismo.

Tarcísio já havia dito que não colocaria o boné novamente. No debate, limitou-se a dizer que "as tarifas impostas prejudicam muito o Brasil, em especial o estado de São Paulo", e elencou medidas estaduais que, segundo ele, ajudaram a amortecer o impacto.

Negacionismo

Tarcísio questionou Haddad sobre propostas de infraestrutura para lidar com a crise hídrica. O ex-ministro aproveitou o gancho para associar o rival ao negacionismo bolsonarista. "Vocês negam mudança climática, negam vacina. Teu grupo político está fazendo propaganda antivacina agora na internet. Se continuar essa loucura dos seus correligionários e apoiadores, vamos ter volta de outras doenças erradicadas."

Privatizações

Haddad disse que, "a princípio", não tem nada contra parcerias público-privadas, para em seguida criticar privatizações associadas ao governo Tarcísio, da Sabesp ao metrô. Pediu que o oponente fizesse uma "avaliação crítica" do que ele corrigiria do seu "programa voraz" de privatizações.

"A gente não faz privatização, Haddad, por fazer. A gente faz a privatização, às vezes, por necessidade", o governador respondeu.

Deu como exemplo a Sabesp, alegando que a conta de água seria mais custosa se ela não tivesse sido privatizada. Aproveitou para alfinetar o petismo, cujos governos seriam especialista em estatais insolventes. Chamou o PT de "cupim".

Segurança pública

O petista apontou uma "epidemia" de violência, citando que os feminicídios em São Paulo subiram 10% no primeiro semestre, em contraste com a queda de 2,5% na média nacional.

Também questionou o encerramento de câmeras com gravação integral em fardas e a interrupção no atendimento 24 horas de Delegacias da Mulher, afirmando que as decisões da Secretaria de Segurança envergonham a corporação.

Disse que o estado não combate o PCC de forma efetiva e que o Comando Vermelho estaria começando a se infiltrar no território paulista. Vinculou coronéis de alta patente da Polícia Militar ao crime organizado e classificou a tecnologia estadual para a área como obsoleta: "Você está no tempo do telefone fixo em termos de inteligência artificial para combater o crime".

O governador apontou a queda nos indicadores criminais, como latrocínio e roubos e furtos, e defendeu o trabalho de seu ex-secretário de Segurança Guilherme Derrite, acusado por Haddad de bagunçar a polícia. Disse que 173 cidades do estado "não tiveram um roubo sequer" em 2025. "Se isso não é avanço na segurança pública…"

O governador questionou se o ex-prefeito de São Paulo se comprometeria a dar continuidade ao trabalho atual sobre a cracolândia, trazendo para si o mérito por entender o "mecanismo criminoso" na região. Quis saber por que, quando governava a cidade, Haddad não conseguiu sanar o problema na capital paulista.

Haddad disse que o programa Braços Abertos, da sua gestão municipal, "não tinha capacidade de enfrentar tráfico de drogas, que é assunto da polícia".

O governador usou contra o adversário a prisão de Alessandra Moja, que seria irmã de um traficante vinculado ao PCC, lembrando que ela esteve num palco com Lula e seu ex-ministro da Fazenda durante um evento na favela do Moinho, em 2025.

Haddad respondeu irritado. "Você acha que eu conheço o tráfico como você conhece? Se você sabia que ela era traficante, por que você não foi lá prender? Eu não sabia. Se eu soubesse, teria dado voz de prisão para ela. Eu não tenho esse tipo de proximidade com nada do que você está falando. Então você respeita, baixa essa bola."

Haddad afirmou que São Paulo perdeu posições em avaliações nacionais de qualidade da educação, sendo superado por estados com menor orçamento. Criticou a substituição do livro didático tradicional e do trabalho presencial do professor por aulas em slide e plataformas virtuais, argumentando que a troca desmotiva os docentes e prejudica o aprendizado.

O governador retrucou dizendo que os indicadores educacionais estão em curva de evolução. Prometeu criar um programa específico para o ensino da matemática com o uso de IA para apoiar os estudantes, e ampliar escolas de tempo integral e ensino técnico.

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