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UOL há 86 d • Dom, 09 Ago 2026 08:30:00 -0300

Campanha quer 'desavermelhar' PT, mas Lu Alckmin ensina o partido a voltar ao vermelho

Campanha quer 'desavermelhar' PT, mas Lu Alckmin ensina o partido a voltar ao vermelho

A campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está sendo "desavermelhada" para mostrar ao mercado e aos eleitores independentes a importância da aliança do PT com a centro-direita em sua disputa pelo quarto mandato. Nos atos do partido sobressaem-se agora o verde e amarelo —para impedir que o bolsonarismo se aproprie das cores da bandeira do Brasil— e até mesmo o branco.

A estratégia dos marqueteiros já provoca críticas da "esquerda petista", mas, no meio do tiroteio, sobram elogios para Lu Alckmin, mulher do vice-presidente Geraldo Alckmin.

Na convenção do PT que lançou a candidatura de Lula à reeleição, no último dia 2, dona Lu —como é conhecida Maria Lúcia Guimarães Ribeiro Alckmin— usou um vestido vermelho e se destacou no palco em que o presidente anunciou não querer mais reeditar o figurino de "Lulinha paz e amor" porque agora vai ser "Lulinha porreta".

"Em algumas culturas, o vermelho é a cor da alegria e celebração da positividade coletiva, exatamente o que eu gostaria de expressar naquele momento tão especial", disse ela ao Estadão. "Uni o meu gosto pessoal a uma causa nobre".

'Sintonia e parceria'

Filiada ao PSB, mesmo partido de Alckmin, ela não combinou o look com a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, que vestia uma camiseta branca estampada com a foto de Lula quando era criança. Fez surpresa.

"O vermelho é uma das minhas cores favoritas", afirmou a segunda-dama da República. "Usar aquele vestido foi uma forma de expressar sintonia e parceria nessa caminhada coletiva, além de demonstrar que a união, a coragem, a justiça e a solidariedade são caminhos fundamentais para a construção do nosso país".

Lu Alckmin sempre gostou de moda. No Palácio dos Bandeirantes, quando Alckmin era governador de São Paulo e adversário do PT, ela era conhecida pela discrição e elegância. Nos anos 1970, Lu chegou a ser proprietária de butique. Hoje, se dedica a um projeto de padarias artesanais que promove inclusão social por meio do trabalho.

É ela também a responsável por quebrar a sobriedade dos trajes de Geraldo Alckmin, escolhendo meias divertidas para o marido usar, com cores vibrantes e desenhos de jacarés, xícaras de café, bolinhas e listras estilizadas. "A Lu é modernosa", resume o vice-presidente. "Geraldo é todo sério. Então, pelo menos a meia é diferente", justificou ela.

Disputa interna

Na prática, embora na convenção do PT o discurso de Lula tenha sido "à esquerda", para agradar à plateia, há uma queda de braço nas fileiras do partido sobre os rumos de um possível quarto mandato do presidente.

Na seara econômica, a bancada do PT propõe a reestatização do sistema Petrobras. A ideia é autorizar a União a criar uma estatal ou subsidiária de empresa pública já existente para atuar na distribuição de combustíveis e GLP.

Lula já vetou propostas consideradas mais radicais no programa de governo e avisou que não dará nenhum cavalo de pau na economia. Embora as 13 diretrizes de sua plataforma sejam genéricas, o presidente vai acenar para o mercado, mantendo os compromissos com o ajuste fiscal.

"Como tem muita gente operando no sentido oposto - ou seja, a favor de um quarto mandato que se inicie com um ajuste fiscal similar ao de 2015 -, nos cabe fazer pressão", destacou o historiador Valter Pomar, integrante da direção nacional do PT. "Assim como nos cabe fazer pressão para uma campanha bem vermelha, inclusive pelos motivos que o próprio Lula citou, quando lembrou o que fizemos em 1989", prosseguiu o dirigente da corrente Articulação de Esquerda, ao comentar o discurso do presidente na convenção.

Foi nesse momento que Pomar elogiou Lu Alckmin. "Quem ainda tem dúvida a respeito das vantagens desse tipo de campanha, recomendamos - quem diria - consultar dona Lu", escreveu ele no artigo intitulado Uma Dama de Vermelho. "Por essa, nem Chris de Burgh esperaria", emendou o dirigente do PT, numa referência ao autor da música The Lady in Red, um sucesso mundial.

A segunda-dama da República soube do "conselho" de Pomar. Reação: apenas sorriu.

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