O Corinthians fez concessões nas últimas rodadas de negociação com Memphis Depay, superou parte das divergências que impediam a conclusão do acordo e se aproximou da renovação do atacante até 2028.
O avanço, porém, veio acompanhado de preocupação interna com as condições oferecidas ao holandês, especialmente em um momento no qual o clube tem pagamentos atrasados com o elenco profissional.
Minutas aguardam retorno
O UOL apurou que as novas versões das minutas contratuais foram encaminhadas aos representantes de Memphis, e o Corinthians agora aguarda o retorno da documentação. Parte da equipe jurídica que representa o atacante trabalha em Madri, na Espanha, o que também dificulta a aceleração do negócio por causa do fuso horário.
Pessoas envolvidas na negociação consideram que os principais obstáculos foram removidos. A assinatura, no entanto, ainda é necessária para que o acordo seja considerado concluído.
Internamente, a avaliação é de que não existe mais um impasse capaz de inviabilizar a renovação. O clube, porém, evita estabelecer um novo prazo depois de uma sequência de previsões frustradas.
Corinthians flexibilizou posição
O avanço representa uma mudança na postura adotada pelo Corinthians ao longo da semana. Na última quarta-feira, o UOL mostrou que o presidente Osmar Stabile dizia, em conversas internas, que só aprovaria a renovação caso Memphis e seus representantes aceitassem integralmente as ponderações apresentadas pelo clube.
Stabile também afirmava a pessoas próximas que não pretendia flexibilizar as condições estabelecidas pelo Corinthians. As tratativas posteriores, porém, foram marcadas por concessões do clube em condições comerciais e contratuais que enfrentavam resistência de integrantes da gestão e de grupos políticos do Parque São Jorge.
Entre os termos discutidos está a disponibilização da Neo Química Arena em duas datas para eventos ligados a Memphis. O acordo também prevê a participação do atacante nas receitas geradas por essas ações.
A cessão do estádio provocou questionamentos em setores do clube. A principal preocupação envolve a utilização da arena, a divisão da arrecadação e a responsabilidade pelos custos operacionais dos eventos, como segurança, limpeza, estrutura e outros serviços.
As bonificações de Memphis em caso de títulos também foram alvo de discussão durante a negociação. Os representantes do jogador propuseram um modelo baseado em um percentual das premiações recebidas pelo Corinthians.
Uma das versões discutidas previa 20% da premiação obtida pelo clube. Após resistência inicial, o Corinthians aceitou fazer novas concessões relacionadas às bonificações comerciais nas conversas mais recentes.
Salários atrasados aumentam preocupação
O possível impacto do novo contrato sobre o restante do elenco tornou-se mais um componente da discussão interna. Os salários referentes a julho, que deveriam ter sido pagos na sexta-feira, não foram depositados aos jogadores do elenco profissional.
A diretoria comunicou previamente o grupo e prometeu regularizar os vencimentos na segunda-feira. Os funcionários do Parque São Jorge e do CT Joaquim Grava receberam dentro do prazo.
O Corinthians atribuiu o atraso com os atletas a questões burocráticas em transações bancárias. O clube também busca recursos para regularizar os direitos de imagem, atrasados desde 20 de julho.
Há ainda pendências relacionadas a premiações por metas alcançadas e férias de jogadores e funcionários do departamento de futebol. Nesse cenário, integrantes do clube demonstraram preocupação com a possibilidade de o anúncio da renovação de Memphis ocorrer antes da quitação dos pagamentos.
Uma ala entende que a confirmação do acordo deve acontecer assim que o contrato for assinado, aproveitando o impacto esportivo e comercial da permanência do camisa 10. Outro grupo defende que anunciar o novo vínculo enquanto o restante do elenco aguarda os vencimentos pode ampliar o desgaste interno.
O Corinthians já preparou artes, vídeos e outros materiais para divulgar a renovação. Uma produção que seria realizada na Neo Química Arena chegou a ser congelada por causa da ausência do contrato assinado.
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