As pesquisas mostram que a corrupção é o segundo item na agenda de inquietações do eleitor. Perde apenas para a segurança pública. Num instante em que a Polícia Federal conduz inquéritos que roçam as campanhas dos dois candidatos mais bem-postos na corrida presidencial, a troca de chumbo entre Lula e Flávio Bolsonaro tende a virar um jogo de soma zero.
As investigações que atingem Lulinha, o ex-líder do governo Jaques Wagner e Marcola, ex-assessor de Lula, desgastam a imagem do candidato do PT. O inquérito que apura o destino dos R$ 61 milhões que Flávio Bolsonaro mordeu de Daniel Vorcaro e a investigação de desvios de verbas de emendas do vice Alfredo Gaspar tornam desconexa a retórica anticorrupção do presidenciável do PL.
Nesse contexto, os ataques que os candidatos e seus aliados fazem uns aos outros tendem a ser neutralizados. A permanência de Lula e Flávio no topo do ranking das pesquisas indica que os eleitores cativos de ambos dão de ombros para as suspeitas sob investigação. Resta acompanhar o comportamento do eleitor dito independente.
Decisivo no tira-teima da sucessão, o eleitorado que não morre de amores nem pelo bolsonarismo nem pelo petismo é mais sensível às denúncias de corrupção. Seus votos podem migrar de um lado para o outro conforme o movimento da lama, desempatando por pequena margem o placar de zero a zero. Quer dizer: a atuação da Polícia Federal tornou-se um dos fatores centrais da disputa eleitoral.
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