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UOL há 87 d • Sex, 07 Ago 2026 23:49:43 -0300

Ciclone se afasta para o oceano, mas ainda há risco de ventos fortes no sul

Ciclone se afasta para o oceano, mas ainda há risco de ventos fortes no sul

O ciclone extratropical que gerou temporais e ventos fortes no sul do Brasil se deslocou para o Oceano Atlântico na sexta-feira (7), mas ainda há risco de ventos fortes, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

O que aconteceu

O afastamento do ciclone influencia o vento na faixa litorânea da região sul do Brasil, informou a meteorologista Thais Cortez, do Inmet. No sábado, as rajadas de vento ficam entre 50 e 70 km/h no Paraná, Santa Catarina e litoral norte gaúcho, com possibilidade de alcançar 90 km/h no sul e região central do Paraná e no Planalto Norte catarinense, de acordo com a Climatempo. A previsão também indica que os ventos devem ficar entre 50 e 70 km/h no litoral do Rio de Janeiro e Espírito Santo, centro-sul e leste de São Paulo e extremo sul de Minas Gerais.

Alertas para ventos fortes estão ativos para as costas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo. Os avisos foram emitidos pelo Inmet e valem até a noite de sábado (8).

Na sexta-feira (7), uma frente fria associada ao ciclone-bomba que se formou na quinta-feira (6), entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul, atuou sobre o sul do país. O quadro favoreceu a existência de fortes rajadas de vento e tempestade. Uma pessoa morreu e ao menos cinco ficaram feridas no Rio Grande do Sul, que enfrentou rajadas de aproximadamente 120 km/h em diferentes pontos do estado.

A circulação associada ao sistema favorece a entrada de uma massa de ar frio sobre o sul do Brasil, fazendo a temperatura cair. Com a passagem das instabilidades, o resfriamento contribui para a formação de geadas no centro-sul do Rio Grande do Sul e em regiões de Santa Catarina. O ar frio também deve chegar a São Paulo e Rio de Janeiro na segunda-feira (10), mas com menor intensidade.

No sábado (8) e domingo (9), as tempestades devem ficar concentradas entre o Paraná, centro e norte de Santa Catarina, sul de Mato Grosso do Sul e centro-sul de São Paulo.

Defesa Civil de São Paulo disse que rajadas de ventos intensas, com até 70 km/h, ainda são esperadas no estado. Ao longo da noite de sexta, instabilidades ganham força e podem provocar chuva forte e temporais isolados nas faixas central, sul e leste paulista. Há risco de queda de granizo em alguns pontos e possibilidade de transtornos. Durante a madrugada de sábado (8), as instabilidades continuarão nas faixas sul e leste do estado, ainda com risco de forte precipitação em alguns locais.

RS, RJ e SP foram impactados

No Rio Grande do Sul, os ventos passaram dos 120 km/h, uma pessoa morreu e cinco ficaram feridas na sexta. A morte registrada é de um motociclista, de aproximadamente 30 anos, após a queda de uma árvore, em Montenegro, na região metropolitana de Porto Alegre. A Defesa Civil informou que dois feridos seguiam hospitalizados até o fim da tarde de sexta.

Apesar do caos atmosférico causado nas regiões, o ciclone não passou diretamente sobre os estados. Os impactos sentidos foram, na verdade, indiretos, com a formação de instabilidade durante a passagem do fenômeno pelo oceano. Os eventos climáticos no Rio Grande do Sul não aconteceram somente por causa do ciclone, e sim por uma combinação de fatores.

O ápice do mau tempo no Rio Grande do Sul aconteceu na tarde e na noite de quinta, quando um tornado atingiu a cidade de Pedro Osório. O município, localizado a 290 km da capital gaúcha, teve destelhamento de casas. A prefeitura informou que ainda realiza o levantamento dos danos, mas não há registros de vítimas. Segundo a Defesa Civil, o tornado foi localizado, com reporte no interior do município, e atingiu uma casa em área não urbanizada.

Até a noite de sexta, 114 municípios reportaram danos em casas e infraestruturas públicas no RS. A informação foi atualizada pela Defesa Civil do estado, que informou também que 2.306 pessoas estão desalojadas. Não há relatos de desabrigados no estado. As cidades com mais moradores afetados são Novo Cabrais, Eldorado do Sul, Nova Hartz, Novo Hamburgo, Portão, Sapiranga, Santo Antônio da Patrulha e São Leopoldo. Rio Pardo também registrou danos significativos em mais de 140 residências e repartições públicas.

Rio de Janeiro contabilizou 22 ocorrências relacionadas ao vento. A maior parte desses registros é de queda de árvores, sem vítimas. O Governo do Estado decretou ponto facultativo, enquanto a prefeitura e o governo orientaram a antecipação do encerramento de expediente de todos que não realizavam atividades essenciais. Um gabinete de crise formado pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil monitora a situação do estado.

As rajadas mais fortes do estado do RJ foram registradas em Angra dos Reis, na costa verde. Segundo o COR-Rio (Centro de Operações Rio), os ventos chegaram a 88,7 km/h na Praia do Abraão às 11h de sexta. No município do Rio, a rajada mais forte foi de 66,6 km/h no Aeroporto do Galeão entre 11h e 12h, e houve oito quedas de árvores.

Aulas foram canceladas em escolas públicas municipais e estaduais da capital carioca. A UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) também cancelaram as atividades.

Em São Paulo, os ventos mais fortes aconteceram na região do litoral na manhã de sexta. Em Santos, uma rajada de 109 km/h foi registrada pela Defesa Civil às 7h, sendo a maior até o momento. Árvores de grande porte caíram na cidade, segundo o órgão.

A Capitania dos Portos fechou o porto de Santos para navegação às 6h45 de sexta. As travessias de balsa da cidade para Vicente de Carvalho e Guarujá também foram paralisadas por "impraticabilidade", sendo retomadas às 7h25. As Prefeituras de Bertioga, Itanhaém, Peruíbe e Ubatuba suspenderam as aulas por prevenção.

Estado de São Paulo também ativou um gabinete de crise para monitorar os danos causados pelo temporal. O gabinete tem membros do Corpo de Bombeiros, da Polícia Rodoviária, da Defesa Civil, de concessionárias de luz e de gás e das agências reguladoras do estado.

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