A questão não é perder. Perderemos mais do que venceremos. A derrota está na conta e saber lidar com ela é caminho de amadurecimento. A questão é como perdemos. O Corinthians de Fernando Diniz perdeu por 2 x 3 no placar agregado lutando e não há quem possa discordar disso. A Fiel ficou depois do apito final e aplaudiu o time. Teve sangue, suor e lágrimas. É o que esperamos; o resto é imponderável.
Por que não vemos aquela troca esfuziante de bola, tão característica do dinizismo? Jogadores aproximados, escadinhas, triangulações intuitivas, liberdade, corta-luz, dribles. O que o time tem de sobra é vontade, mas a vontade organizada pelo caos não leva longe.
É a chegada de Memphis que vai resolver essa parada? Não acho que seja. O que eu vi em campo contra o Inter foi muito jogador dedicado e poucas jogadas criativas. Correria destrambelhada sem objetivo claro. Do dinizismo ficaram a posse de bola e o recuo de um volante para a zaga a fim de buscar o resultado. Outra vez, Raniele foi fazer a função de zagueiro para que o time pudesse contar com mais jogadores ofensivos. Pedro Raul é mais Raul do que Pedro, e um time que jogue para servir sua cabeça não vai conseguir muita coisa.
A lama não deixará o Corinthians tão cedo. São décadas de descasos e malfeitos que não acabarão em meses. Mas o caos deveria dar lugar à solidariedade. Um time precisa nascer. Vida longa ao dinizismo. Que ele volte antes do próximo jogo da Libertadores. E um salve para Chico Science, onde quer que ele esteja.
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
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