Os apagões em Cuba passaram a determinar a rotina de famílias que correm para cozinhar, lavar roupas e armazenar água quando a energia volta por poucos minutos, relata a NBC News.
O que você precisa saber
Em Havana, a eletricidade pode voltar de madrugada e durar apenas alguns minutos ou poucas horas. Aos 72 anos, Leidis Rodríguez preparou feijão às pressas quando a luz retornou após horas de apagão. "A energia voltou, todo mundo vai!", gritou ela.
Yaimara Matos, filha de Rodríguez, diz que a família tenta concentrar todas as tarefas no período em que há energia. "Você quer fazer tudo ao mesmo tempo: lavar roupa, passar, cozinhar, arrumar os quartos e até ter um pouco de alívio do calor", afirmou.
Falta de eletricidade também interrompe o abastecimento de água, que depende do bombeamento para os reservatórios. Rodríguez resume o problema: "Se não há eletricidade, não há água porque ela não é bombeada para o tanque. Quando há água, não há eletricidade."
Moradores recorrem a geradores pequenos, painéis solares, ventiladores recarregáveis e veículos movidos a energia solar para lidar com a crise. Lianet Barroso passou a cozinhar em fogo de lenha e enche garrafas plásticas sempre que consegue água.
Crise atinge transporte, comida e trabalho
O transporte público, eventos culturais e o turismo foram afetados pelos apagões prolongados. Empresas do setor turístico deixaram o país, abrindo 25 mil vagas na hotelaria, enquanto voos são cancelados e jornadas de trabalho foram reduzidas.
Remédios ficaram mais escassos e alimentos estragam em geladeiras sem energia. A inflação e a desvalorização da moeda cubana frente ao dólar dificultam a compra de comida, que pode se perder durante um apagão.
Em alguns municípios, sobretudo em Havana, moradores protestaram após apagões superiores a 48 horas. Eles bateram panelas e queimaram lixo acumulado nas esquinas.
Rede elétrica tem colapsos recorrentes
Os apagões se agravaram há cinco anos com a deterioração da rede elétrica, sanções dos EUA e reformas econômicas malsucedidas do governo cubano. Antes, os cortes eram programados e costumavam durar duas ou três horas.
Agora, os moradores não sabem quanto tempo ficarão sem eletricidade, pois as interrupções podem durar 12 horas, 30 horas ou mais. O colapso da rede no último fim de semana foi o sexto registrado na ilha neste ano.
Em janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou aplicar tarifas a países que vendessem ou fornecessem petróleo a Cuba. A medida, somada a sanções mais rígidas, pressionou o acesso da ilha ao petróleo, sua principal fonte de energia.
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