O candidato à presidência Romeu Zema (Novo) participou de uma sabatina da GloboNews e do g1 nesta quinta-feira (6).
Durante a entrevista, o ex-governador de Minas Gerais errou ao falar sobre um impasse envolvendo a obra do Rodoanel em Belo Horizonte e ao dizer que não há pessoas no Novo sendo investigadas.
Não tenho ninguém do meu partido sendo investigado.
FALSO. Ao contrário do que disse Zema, existem investigações contra membros no Novo. O deputado estadual Elizeu Nascimento (Novo-MT) é alvo de uma investigação por suspeita de desvio de emendas parlamentares (aqui).
Em abril deste ano, uma operação do Núcleo de Ações de Competências Originárias (Naco), do Ministério Público Estadual, encontrou R$ 200 mil em espécie —R$ 150 mil na casa do parlamentar e R$ 50 mil na residência de Cezinha Nascimento (União), vereador em Cuiabá e irmão de Elizeu (aqui).
Em outra ação, a Polícia Federal investigou o empresário Cláudio Fernando Aguiar, que foi candidato a prefeito do Guarujá (litoral de São Paulo) pelo Novo em 2024, por suspeita de envolvimento com o PCC.
O Rodoanel em Belo Horizonte está lá aguardando há um ano o início das obras porque uma comunidade que não é, e se diz tradicional, alega que, apesar de estar a seis quilômetros de distância, pode ter algum impacto. Ela precisa se manifestar, e não manifesta.
ENGANOSO. A obra citada não começou porque há disputas judiciais sobre o licenciamento ambiental e seu impacto em diversas comunidades tradicionais, e não apenas uma, como afirma Zema.
Em 2024, o Ministério Público Federal ajuizou uma ação civil pública por considerar que o Estado de Minas Gerais repassou indevidamente a empresas privadas a obrigação legal de realizar a Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI), exigência para empreendimentos que impactam comunidades tradicionais (aqui).
A CLPI é um direito das comunidades tradicionais prevista na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário. Em fevereiro, o Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6) acolheu um recurso do Estado de Minas Gerais e suspendeu a decisão que havia paralisado a participação da concessionária Rodoanel BH S.A. e da empresa Tractebel Engineering Ltda. no processo da Consulta Livre, Prévia e Informada (aqui).
Outra ação, proposta pela Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais (N'Golo), questiona a Licença Prévia concedida pelo governo ao empreendimento, e o impacto da obra nas comunidades tradicionais (aqui). Há divergências sobre a quantidade de comunidades afetadas.
A federação afirma que 137 comunidades quilombolas podem ser impactadas pelas obras (aqui), atingindo áreas de sítios arqueológicos e o Cemitério dos Escravos, por exemplo, que segundo a organização fica a 220 metros do traçado da Rodoanel.
Já o governo argumenta que apenas seis comunidades seriam diretamente afetadas pela obra (aqui). O município de Contagem também integra a ação e afirma que a obra atravessa seu território na Área de Proteção Ambiental (APA) Várzea das Flores e na comunidade quilombola dos Arturos.
"Tenho levado aos brasileiros as minhas propostas, mostrado aquilo que fiz nos sete anos e meio à frente do meu estado, zero corrupção."
FALSO. Diferentemente do que Zema afirmou, o alto escalão do governo de Minas Gerais foi alvo da Operação Rejeito, que desarticulou um esquema de corrupção bilionário com empresas da área de mineração.
Deflagrado no final de 2025 pela Polícia Federal, o esquema envolvia o pagamento de propina para obter vantagens na liberação de licenças ambientais para atuar em diferentes projetos de mineração irregulares no estado. A investigação estimou que a liberação ilícita dos projetos poderia chegar a um prejuízo de R$ 18 bilhões aos cofres públicos.
A PF apontou o envolvimento dos seguintes órgãos federais e estaduais: ANM (Agência Nacional de Mineração), Semad (Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Minas Gerais), Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), Feam (Fundação Estadual de Meio Ambiente de Minas Gerais), IEF (Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais) e Copam (Conselho Estadual de Política Ambiental de Minas Gerais). A Justiça Federal também afirmou que a investigação demonstrou indícios de "corrupção sistêmica" no governo de MG.
Após a deflagração da Operação Rejeito, o governo exonerou Arthur Ferreira Rezende Delfim e Fernando Baliani da Silva, diretores da Feam, Breno Esteves Lasmar, diretor-geral do IEF, e Lirriet de Freitas Libório, chefe regional da Unidade de Regularização Ambiental do Leste de Minas.
"Os 40 mil mortos [no Brasil] todo dia aqui nós passamos a normalizar. Caiu um avião grande igual o da TAM que caiu lá em São Paulo 15 anos atrás, virou normal: todo dia 140 homicídios, normal".
EXAGERADO. Embora o candidato do Novo tenha citado o número total de mortes em 2025 corretamente, ele exagerou ao mencionar o dado de homicídios por dia. Segundo os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública de 2026, foram 40.755 mortes em 2025, o que dá uma média diária de 111 homicídios, menor que os 140 citados por Zema (aqui).
Quando assumi em 2019, 1º de janeiro, assumi um Estado que era uma verdadeira massa falida. 240 mil servidores públicos com nome sujo no SPC e Serasa porque o governo do Pimentel, do PT, descontou desses servidores o empréstimo consignado e não fez os repasses aos bancos.
INSUSTENTÁVEL. O número de servidores inadimplentes citado pelo candidato não pôde ser comprovado. Em 2021, a Polícia Civil de Minas Gerais indiciou José Afonso Bicalho, ex-secretário de Fazenda do governo Fernando Pimentel (PT), e Paulo Duarte, ex-subsecretário do Tesouro Estadual. Eles eram suspeitos de desviar R$ 855 milhões em empréstimos consignados dos servidores estaduais e pensionistas entre junho de 2017 e setembro de 2018.
Segundo a polícia, cerca de 260 mil servidores foram afetados. Eles fizeram empréstimos e tiveram as parcelas descontadas nos salários, mas os valores não eram repassados aos bancos e foram usados para pagar despesas públicas. De acordo com reportagens da época sobre o caso, muitos trabalhadores foram inscritos em cadastros de inadimplentes, como o SPC e o Serasa, mas o número exato não foi informado (aqui, aqui e aqui).
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