O Banco Central agiu com prudência ao reduzir a Selic, mas o país precisa ficar atento ao risco de uma recessão em 2027, avaliou o colunista Felipe Salto no UOL News - 2ª edição, do Canal UOL.
O comentário ocorreu após o Copom cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, levando a Selic a 14% ao ano, e indicar que vai calibrar os próximos passos conforme novos dados de inflação, atividade e cenário externo.
Eu chamo a atenção, e nós estamos hoje no dia 5 de agosto de 2026, para começarmos a ficar de olho no risco para outra ponta: não só no da inflação, mas no de ter uma recessão no ano que vem.
Com essa carga de juros por tanto tempo, há o risco de, junto com o ajuste fiscal que será preciso no primeiro ano do ano que vem, e disso ninguém discorda, um baque na economia, que é muito difícil de reverter depois. Felipe Salto
Salto disse que a Selic segue em patamar "bastante elevado" e estimou um juro real de cerca de 10% ao descontar uma inflação esperada de 4% para 2027. Para ele, esse nível prolongado de aperto pode bater mais forte na atividade com o passar do tempo.
A taxa de juros está em um nível bastante elevado: 14% a partir de agora, descontando uma inflação esperada, digamos, de 4% para o ano que vem, nós estamos falando de um juro real de 10%. Felipe Salto, colunista do UOL
O colunista apontou que, embora a "fotografia" atual mostre desemprego baixo e perspectiva de crescimento acima de 2% em 2026, o efeito da política monetária costuma aparecer com atraso, em um intervalo de 12 a 18 meses.
Hoje eu tomo uma decisão de reduzir em 0,25 a taxa Selic para 14% ao ano, e eu espero que os efeitos disso vão aparecer daqui a 12 a 18 meses. É um prazo que é estimado, não está escrito em pedra, mas é consensual. Felipe Salto, colunista do UOL
Na leitura de Salto, o BC tenta equilibrar riscos domésticos e externos ao mesmo tempo, incluindo o impacto da taxa de juros nos Estados Unidos sobre países emergentes. Ele disse que, com diferencial menor de juros, fica mais difícil atrair capital e controlar a inflação, porque o câmbio tende a pressionar preços.
O nível da taxa de juros nos EUA é muito relevante para países emergentes. O controle da inflação no Brasil é muito dependente do diferencial de juros. Quanto menor o diferencial de juros, mais difícil atrair capital. Quanto mais difícil atrair capital, mais difícil controlar a inflação, porque o câmbio fica mais alto, o dólar fica mais caro. Felipe Salto, colunista do UOL
O UOL News vai ao ar de segunda a sexta-feira em duas edições: às 10h, com apresentação de Fabíola Cidral, e às 16h, com Diego Sarza. Aos sábados, o programa é exibido às 11h e 16h, e aos domingos, às 16h.
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