O presidente Osmar Stabile vive um impasse para decidir a renovação do contrato de Memphis Depay com o Corinthians. Enquanto o departamento financeiro considera mais vantajoso manter o atacante por mais dois anos e parcelar a dívida existente, o jurídico defende o encerramento do vínculo para liberar recursos destinados à valorização de outros jogadores do elenco.
Bastidor dividido
A divergência interna ajuda a explicar por que Memphis chegou ao terceiro dia desde o retorno ao Brasil sem assinar o novo contrato. Embora as bases do acordo estejam alinhadas verbalmente há mais de duas semanas, a definição continua dependendo da decisão do presidente.
O UOL apurou que Stabile passou a defender a permanência do holandês após receber do departamento financeiro um estudo indicando que a renovação é viável e, isoladamente, não representa risco de colapso para as contas do clube.
A discussão, porém, deixou de ser apenas financeira ou esportiva. O presidente passou a enfrentar pressão de aliados, conselheiros e integrantes de diferentes setores do Corinthians contrários ao acordo. Alguns deles defendem, inclusive, um rompimento político caso o novo contrato seja aprovado.
Financeiro vê custo parecido com ou sem Memphis
Fontes ligadas ao clube informaram ao UOL que a análise favorável à renovação foi conduzida pelo gerente financeiro André Lavieri. O departamento comparou o custo total da permanência de Memphis com o impacto financeiro que o Corinthians poderá enfrentar caso o atacante deixe o clube e cobre os débitos acumulados.
A dívida reconhecida durante as negociações é de R$ 42 milhões. Sem um novo acordo, porém, esse valor pode aumentar com multas, juros, correção monetária e outros encargos.
O UOL apurou que a projeção apresentada internamente aponta que uma cobrança integral pode elevar esse passivo para cerca de R$ 100 milhões. O cálculo considera os R$ 77 milhões estimados para a dívida total, acrescidos de custos e riscos relacionados a uma eventual execução judicial movida por Memphis contra o Corinthians.
Por outro lado, a proposta de renovação prevê salário de R$ 1,8 milhão por mês até julho de 2028. Ao longo de 24 meses, os vencimentos somariam aproximadamente R$ 43,2 milhões.
Somados aos R$ 42 milhões da dívida atual — valor que seria fixado pelo jogador no momento da renovação, sem incidência de juros ou multas —, os compromissos chegariam a R$ 85,2 milhões. O acordo ainda estabelece que cerca de R$ 15 milhões sejam captados pelo departamento de marketing e destinados ao atacante.
A dívida atual seria quitada em parcelas semestrais, com valores diferentes ao longo da vigência do contrato. Com esse compromisso, o custo total da operação também ficaria próximo de R$ 100 milhões.
A conclusão do departamento financeiro é que os dois cenários pertencem ao mesmo universo financeiro. A diferença é que, com a renovação, o Corinthians manteria Memphis no elenco, preservaria um ativo importante do ponto de vista esportivo, impediria o crescimento da dívida e ganharia prazo para quitar os valores pendentes.
Jurídico defende outro destino para os recursos
Do outro lado, o UOL também apurou que a principal resistência à renovação está concentrada entre integrantes do departamento jurídico. Além deles, alas políticas próximas ao presidente entendem que o novo contrato manteria o Corinthians comprometido com uma obrigação financeira elevada até julho de 2028.
Fontes ligadas ao jurídico disseram ao UOL que a saída do atacante abriria espaço no orçamento para valorizar outros jogadores do elenco, renovar contratos e redistribuir recursos dentro do departamento de futebol.
Conselheiros críticos ao acordo também levam em consideração o histórico físico do holandês, o tamanho da dívida acumulada e o peso de um novo compromisso financeiro em um clube que enfrenta dificuldades de caixa e ainda convive com restrições para registrar reforços.
A posição contrária, no entanto, não interfere no trabalho técnico do departamento. O jurídico passou esta quarta-feira trocando minutas com os advogados do jogador e ajustando as cláusulas que ainda dependem de consenso.
A operação contratual está em estágio avançado. A divergência interna diz respeito à conveniência administrativa da renovação, e não à viabilidade jurídica do documento.
Stabile com o martelo na mão
Mesmo em meio às divergências internas, Osmar Stabile continua com a palavra final, mas recebeu sinalizações divergentes ao longo dos últimos dias.
Enquanto defensores da renovação afirmam que o contrato está pronto para assinatura, integrantes contrários sustentam que o presidente não deve assumir esse compromisso.
O UOL apurou que, na manhã desta quarta-feira, Stabile informou a interlocutores que poderia assinar o contrato antes de um compromisso no CT Joaquim Grava.
Horas depois, a sinalização mudou e o presidente passou a indicar que iria ao Parque São Jorge para concluir a negociação.
No fim do dia, um novo adiamento foi atribuído ao atraso de uma reunião.
As mudanças aumentaram a incerteza sobre o desfecho da negociação. Ao longo do dia, dirigentes e funcionários do clube receberam versões diferentes sobre a proximidade da assinatura.
A demora também causa incômodo ao estafe de Memphis. O atacante retornou ao Brasil após receber a versão do contrato, participou da troca de minutas e cumpriu todos os procedimentos solicitados pelo Corinthians.
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.