A melhor pesquisa de torcida já realizada no Brasil ainda parece ser a de "O Globo-Ipec", do ano passado. Mas ali há um número aparentemente exagerado: 32% torcem para ninguém. A pesquisa Datafolha publicada neste sábado mantém o Flamengo em primeiro lugar (22%), como é óbvio, Corinthians em segundo (14%) e o Palmeiras se consolidando em terceiro (7%), e indica os mesmos 22% do rubro-negro para quem torce por ninguém.
Há 33 anos, desde a pesquisa da revista Placar-Ibope de 1993, o índice para nenhum é igual ou superior ao Flamengo. Alarme!
E o Brasil nunca olhou para este índice com a devida atenção. Não se trata de provocar uma torcida qualquer e dizer que "nenhum" é a maior torcida, mas de observar o potencial de crescimento da indústria do futebol.
Em números absolutos, 22% da população brasileira são 46 milhões de pessoas que não têm time. Não estão na economia do futebol. É a população da Argentina, quase a totalidade da Espanha, quatro vezes e meia de Portugal, mais de dez vezes o Uruguai.
Trazer este percentual para dentro do futebol não é possível, porque todo país tem uma parcela de gente, 10 a 15%, que não liga para futebol. Mas recuperar 10% desta nação sem time significaria colocar duas vezes a população de Portugal na economia do futebol.
Gerar emprego, pagar imposto.
O futebol é indústria, representa 0,7% do PIB do Brasil, 1,37% na Espanha.
A gente bem podia parar de ser burro por aqui.
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL
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