Oficializado hoje como candidato ao Governo do Paraná, o ex-juiz Sergio Moro (PL) nacionalizou a campanha estadual ao criticar Lula (PT) e minimizar as suspeitas contra Flávio Bolsonaro no caso Master. Disse que houve "alguma divergência e algum ressentimento" quando rompeu com a família, mas há um "projeto maior" para derrotar o petista.
O que aconteceu
Moro foi oficializado como candidato em convenção em Curitiba. Ele disse que "o que acontece em Brasília impacta nos estados" e que um de seus objetivos é derrotar o presidente Lula e o PT. "A derrota do Lula é essencial para garantir o futuro e a liberdade do nosso país", disse Moro. "Vamos lutar, sim, para derrotar o Lula e eleger o nosso candidato, Flávio Bolsonaro (PL)."
Minimizou o caso Master. Em entrevista coletiva, Moro foi questionado se se sentia confortável em dividir palanque com Flávio Bolsonaro, que, recentemente, se viu envolvido em denúncias relacionadas o escândalo do banco Master. O ex-juiz rememorou o rompimento com a família Bolsonaro e detalhou que a reaproximação ocorreu antes do segundo turno das eleições de 2022, quando acompanhou Bolsonaro nos debates de TV.
Ele chamou que a eventual reeleição de Lula de "tragédia moral e econômica" para o país. "Apesar de termos alguma divergência e algum ressentimento [com a família Bolsonaro], eu aceitei essa missão, porque entendo que é importantíssima a derrota do Lula. Desde então, iniciamos uma reaproximação e estamos unidos nesse projeto maior", afirmou Moro.
Convenção acontece no dia do aniversário de Moro. Ele hoje completa 54 anos. Teve um bolo com a foto dele e aliados cantaram parabéns.
Acordo no centrão tenta evitar pulverização de votos. Ontem, o PSD, partido do atual governador, Ratinho Junior, fechou acordo com o MDB. Com isso, Sandro Alex terá como vice na chapa o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca. Até então, Greca se colocava como pré-candidato ao governo, aparecendo em terceiro lugar nas pesquisas, na frente de Sandro Alex.
Moro minimizou a união da chapa adversária e lembrou que ele tem aparecido na liderança isolada de todas as pesquisas. "Não temos preocupação com nossos adversários. Nós temos as nossas propostas e temos confiança ". Na convenção, Podemos e Novo manifestaram apoio a Moro. "Novo, PL e Podemos são oposição ao que acontece em Brasília", disse o candidato.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro enviou um vídeo, exibido em um telão. Ela incentivou a participação feminina na política, elogiou a chapa de mulheres do PL e manifestou apoio Moro. "Oro para que Deus abençoe essa caminhada. A política é desafiadora, mas nós, mulheres de bem, somos movidas por propósito, coragem e fé. E o Paraná terá, com Sergio Moro, um governador preparado, íntegro e comprometido com os valores que defendemos", disse.
Candidato ao Senado pelo PL critica PT e ligações do partido com o banco Master. Apesar de também ser mencionado no escândalo, Filipe Barros disse que novas investigações mostram que o PT estaria "umbilicalmente ligado" ao escândalo. "Eu quero que venham ao Paraná, sim, as menções ao Banco Master, até porque o que a PF está descobrindo nos últimos dias é a relação umbilical do Banco Master com as grandes lideranças do PT", disse.
Relatório da Polícia Federal cita contatos entre o senador Jaques Wagner e um ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima. Documentos apontam 74 ligações e 5 horas e 30 minutos de conversas entre novembro de 2023 e maio de 2025.
Barros fez projeto para beneficiar Master. Em seu mandato como deputado federal, Barros foi autor do Projeto de Lei 4.395/2024, que beneficiaria diretamente o banco de Daniel Vorcaro. Ele propunha aumentar o limite de garantia do Fundo Garantidor de Crédito dos atuais R$ 250 mil para R$ 1 milhão por investidor.
Ele não comentou as implicações ao seu nome no escândalo. Apenas disse que foi o primeiro a denunciar suspeitas de irregularidades à PF e à PGR (Procuradoria-Geral de República), em dezembro de 2024. Ele ainda lançou suspeitas, sem nenhuma prova, de que Gleisi Hoffmann e Enio Verri fizeram lobby em Brasília "tentando colocar o banco Master dentro de Itaipu". Verri é diretor-geral Itaipu Binacional, nomeado por Lula, já Gleisi também disputa o Senado pelo Estado.
Impeachment de ministro do Supremo entra em discurso. Barros disse que, se eleito, vai atuar alinhado a uma plataforma da direita: o pedido de impeachment de ministros do STF. Ele sugeriu que ministros do Supremo têm extrapolado suas prerrogativas, enquanto parte do Senado "dorme em berço esplêndido por falta de coragem". "Não podemos mais ver o STF legalizando maconha por via judicial. Os freios e contrapesos têm que funcionar para todos."
Além da candidatura de Moro, o PL oficializou 86 candidaturas a deputados federais e estaduais. Pré-candidato ao Senado pelo Novo, o ex-procurador Deltan Dallagnol também participou do evento.
Deltan disse que o Paraná está na "lista negra" do STF, que não quer senadores de direita. Para ele, o Judiciário é "fraco e não conseguiu se impor diante da corrupção". Também mencionou a prisão de Bolsonaro como uma injustiça. "Guerreiros da direita, temos três grandes inimigos: o PT, que rouba a gente há décadas; abusos judiciários, com Bolsonaro na cadeia; e bandidos nas ruas. Mas temos o melhor exército."
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