Hōfuku Maru: pesquisadores localizaram os destroços do cargueiro japonês mais de 80 anos após o naufrágio (Reprodução/Ram Yoro)
Publicado em 31 de julho de 2026 às 14h04.
Os destroços do cargueiro japonês Hōfuku Maru foram localizados no fundo do mar próximo à costa oeste da ilha de Luzon, nas Filipinas. O navio afundou em setembro de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto transportava cerca de 1.289 prisioneiros de guerra britânicos e holandeses. Apenas 242 pessoas sobreviveram ao naufrágio.
A identificação da embarcação foi feita pela Hellships Memorial Foundation, organização dedicada à pesquisa dos chamados "navios do inferno" no último dia 14 de junho.
Segundo a equipe, a descoberta representa um avanço na investigação de uma das maiores tragédias marítimas da Guerra do Pacífico e oferece às famílias das vítimas um local para recordar e homenagear aqueles que perderam a vida no desastre.
A localização do Hōfuku Maru foi resultado de uma investigação que reuniu documentos militares japoneses e norte-americanos, levantamentos com sonar de varredura lateral, mergulhos técnicos e fotogrametria submarina.
O ponto de partida para a descoberta veio após o pesquisador John Duresky localizar registros inéditos sobre os comboios japoneses da guerra. Os documentos indicavam que o cargueiro havia afundado cerca de 50 quilômetros além da posição considerada correta até então.
Com base nessas informações, a equipe direcionou as expedições para a região próxima ao município filipino de San Narciso. No local, encontrou um navio fragmentado em três grandes partes. As características estruturais da embarcação, os danos observados e a comparação com registros históricos permitiram confirmar que os destroços pertenciam ao Hōfuku Maru.
Segundo Timothy Beckensall, historiador da Segunda Guerra Mundial e diretor de buscas da Hellships Memorial Foundation, a identificação foi possível graças à combinação entre evidências históricas, mapeamento por sonar e inspeção visual realizada durante os mergulhos.
Construído em 1918 pela Kawasaki Dockyard Co. Ltd., em Kobe, o Hōfuku Maru passou a ser utilizado pelo Exército Imperial Japonês durante a Segunda Guerra Mundial para transportar prisioneiros.
Ele integrava o grupo das embarcações que ficaram conhecidas como "hellships", ou "navios do inferno", na tradução para o português. O apelido surgiu pelas condições extremas enfrentadas pelos prisioneiros durante as viagens. Os detentos eram mantidos em compartimentos fechados, com superlotação, pouca ventilação, escassez de água e alimentos e praticamente sem atendimento médico.
De acordo com a Hellships Memorial Foundation, esses navios também não exibiam qualquer identificação indicando que transportavam prisioneiros de guerra. Como consequência, eram frequentemente atacados pelas forças aliadas, que desconheciam quem estava a bordo.
O cargueiro também recebia o nome de Toyofuku Maru, expressão japonesa que significa "retribuição das bênçãos". A embarcação possuía 5.857 toneladas, media 117,35 metros de comprimento e era equipada com motores a vapor de tripla expansão, capazes de atingir aproximadamente 10 nós, o equivalente a 18,5 km/h.
Em 21 de setembro de 1944, o Hōfuku Maru seguia em um comboio japonês quando foi atacado por aeronaves dos Estados Unidos.
Sem qualquer sinalização que revelasse a presença de prisioneiros, o cargueiro foi tratado como um alvo militar. A embarcação foi atingida por bombas e torpedos e afundou rapidamente.
Grande parte dos prisioneiros permaneceu presa nos porões durante o naufrágio. Dos 1.289 britânicos e holandeses transportados, apenas 242 sobreviveram. Entre os sobreviventes, alguns acabaram recapturados, enquanto outros conseguiram escapar e se juntar às forças guerrilheiras filipinas.
Durante as expedições realizadas entre dezembro e janeiro, os mergulhadores encontraram restos humanos entre os destroços.
Em razão disso, a área passará a ser tratada como um túmulo de guerra, sem retirada de objetos ou qualquer intervenção no sítio arqueológico. A Hellships Memorial Foundation informou ainda que prepara a divulgação da documentação produzida durante a pesquisa, incluindo levantamentos por sonar, registros fotográficos dos mergulhos e relatos de sobreviventes.
A fundação também trabalha para que o local receba reconhecimento oficial por meio dos canais diplomáticos competentes. Segundo John Duresky, a descoberta representa uma oportunidade para que familiares e nações envolvidas tenham um espaço dedicado à lembrança das vítimas.
Já o fundador da organização, Gerald Anderson, afirmou que a identificação do naufrágio ajuda a preservar a história dos homens que perderam a vida durante a guerra.
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